"Nem mais um cêntimo para o sul da Europa", reclama revista holandesa

Prestigiado semanário holandês condena proposta apresentada por Angela Merkel e Emmanuel Macron e diz que é preciso desmentir a "fábula" de que os países do sul são pobres.

A capa mostra dois nórdicos a trabalhar, enquanto um homem de bigode se espreguiça numa cadeira com um copo de vinho e um café, e uma mulher de biquini fala ao telemóvel. Se a imagem ainda podia deixar dúvidas, o título esclarece: "Nem mais um cêntimo para o sul da Europa".

A imagem e o título fazem a capa da edição desta sexta-feira do semanário holandês Elsevier Weekblad, que classifica como "perversa" a proposta apresentada por Angela Merkel e Emmanuel Macron de "oferecer 500 mil milhões de euros" para o combate às consequências económicas da pandemia da covid-19, sustentando que 30 mil milhões sairão dos cofres dos Países Baixos. Uma "doação incondicional" que "representa uma transferência de dinheiro do norte para o sul da Europa", escreve a publicação, lamentando que a chanceler alemã esteja disposta a transferir fundos para países como a Itália ou Espanha.

Citado pelo espanhol El Mundo, o Elsevier Weekblad escreve que os países do sul da Europa não são pobres e podem melhorar a sua performance económica se implementarem reformas, como fez o norte na sequência da crise de 2008. Defendendo que é preciso desmentir a "fábula" da pobreza dos países do sul, o semanário escreve que, dividindo o valor do PIB pelo número de habitantes adultos, cada francês tem em média 276 mil euros, enquanto um holandês tem 279 mil e um italiano 234 mil, uma conta feita a partir de dados do banco suíço Credit Suisse.

O semanário defende ainda que, apesar a dívida pública holandesa estar nos 59,4%, os níveis de endividamento privado das famílias holandesas são altíssimos (241%), enquanto em Itália a dívida pública é de 137% e a privada de 107%.

A posição dos Países Baixos relativamente à resposta da União Europeia à crise provocada pela pandemia de covid-19 tem provocado polémica. Foi o caso de uma declaração do ministro das Finanças holandês, Wopke Hoekstra, que numa videoconferência com homólogos dos 27, defendeu que a Comissão Europeia devia investigar países como Espanha, que dizem não ter margem orçamental para lidar com os efeitos da crise, apesar de a zona euro estar a crescer há sete anos consecutivos. Uma afirmação que António Costa veio classificar como "repugnante".

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