Navio-escola argentino 'Libertad' para visitar em Lisboa até domingo

É um dos veleiros mais velozes e até fez um recorde de travessia do Atlântico Norte pouco depois de entrar ao serviço da marinha argentina. Até domingo está ancorado no rio Tejo e pode ser visitado.

Pode ser visitado já hoje e também no fim de semana o navio-escola argentino Libertad, que se encontra ancorado em Lisboa, no cais da Rocha do Conde de Óbidos. O veleiro, um dos mais rápidos do mundo e detentor do recorde de travessia do Atlântico Norte, chegou a Portugal na manhã de quarta-feira, proveniente de Cádis. Antes, as escalas tinham sido as ilhas Canárias, também em Espanha, e Salvador da Bahia, no Nordeste brasileiro. "Partimos de Buenos Aires a 17 de agosto e contamos estar de volta a casa a 25 de janeiro", explicou o comandante do A.R.A Libertad, o capitão de mar-e-guerra Juan Carlos Romay. Em tempos tripulante do Libertad, assumiu o comando do navio em fevereiro deste ano e diz-se encantado com o que já viu de Lisboa, cidade que visita pela primeira vez.

Construído num estaleiro argentino, a fragata Libertad está ao serviço da marinha do seu país desde 1963. Com três mastros, mede de comprimento 103,7 metros e tem uma largura de 14,3 metros. O mastro principal ergue-se até 52,88 metros, segundo o material informativo distribuído aos jornalistas que assistiram a uma conferência de imprensa onde esteve também o embaixador argentino em Portugal, Oscar Moscariello. "A presença em Lisboa deste navio-escola vem reafirmar os laços de amizade que unem a Argentina e Portugal", sublinhou o diplomata.

O comandante Romay falou da importância da marinha para a Argentina, um país que é o oitavo maior do mundo e que possui um litoral de quase cinco mil quilómetros, além de uma imensa Zona Económica Exclusiva. "Existimos para defender os interesses da nação", declarou, acrescentando que ao Libertad cabe a missão essencial de completar a formação dos cadetes, que nesta viagem são 47, incluindo nove mulheres, pois desde 2007 a armada argentina aceita marinheiros de ambos os sexos.

A fragata seguirá depois de Lisboa para a Europa do Norte, com a francesa Brest a ser o primeiro porto após Lisboa. A travessia do Atlântico levará o navio até Miami, e antes do regresso à Argentina haverá ainda uma nova escala no Brasil, agora no Rio de Janeiro, explicou o comandante. Esta travessia do Atlântico Norte será no sentido Leste-Oeste, mas a que deu o tal recorde ao Libertad foi de Oeste para Leste, do Cabo Race, no Canadá, até à linha Dublim-Liverpool. Foi um total de 2058 milhas em oito dias e 12 horas, e o recorde tem 53 anos, pois data de 1966 e da quarta viagem de instrução. Esta é 48.ª.

Foi um ano antes do recorde, que a Libertad deu pela primeira vez a volta ao mundo, em 1965. Como este ano se celebram os 500 anos da viagem de Fernão de Magalhães, que o espanhol Juan Sebastian Elcano completou, o comandante da Libertad foi questionado sobre a importância do navegador português, e a resposta foi de grande conhecimento, pois o capitão de mar-e-guerra Jun Carlos Romay dissertou longamente sobre as peripécias de Magalhães no litoral da atual Argentina, primeiro procurando no Rio da Prata a passagem para o Pacífico, depois percorrendo a costa da Patagónia, e ainda a estada no Puerto de San Julián, vários meses à espera que passasse o inverno antes de arriscarem mais par Sul, onde finalmente foi encontrado o batizado Estreito de Magalhães.

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