Modi critica vizinho Paquistão mas ignora protestos em Caxemira

Primeiro-ministro celebrou os 69 anos da independência da Índia com um discurso de união e centrado no progresso da economia

Com as muralhas do Forte Vermelho de Deli em fundo, Narendra Modi criticou todos os "apoiantes do terrorismo", sublinhando o contraste entre os indianos, que lamentam as vítimas de atentados no Paquistão, enquanto "o outro lado glorifica os terroristas". No seu terceiro discurso do Dia da Independência, o primeiro-ministro indiano apelou à união, mas ignorou os protestos mortíferos dos últimos dias em Caxemira.

Numa intervenção de 94 minutos, Modi, de 65 anos, questionou os que assistiam ao seu discurso: "Que vida é esta, inspirada pelo terrorismo? Que governo é este que se inspira no terrorismo?" O alvo das suas palavras era o vizinho Paquistão, nascido da partição da Índia britânica e que assinalou a independência no domingo. Os dois países, ambos potências nucleares desde 1998, já protagonizaram três guerras, duas delas por causa de Caxemira.

Que vida é esta, inspirada pelo terrorismo? Que governo é este que se inspira no terrorismo?

O território tem sido disputado por Índia e Paquistão desde a independência de ambos em 1947, com cada um a controlar uma parte mas a reivindicar soberania sobre a totalidade de Caxemira. Enquanto Modi discursava em Deli, em Srinagar, a capital de verão de Caxemira, homens armados entraram numa esquadra, mataram um agente e feriram outros dez. O território, de maioria muçulmana, tem sido palco desde 8 de julho de confrontos que começaram depois de as forças de segurança indianas terem eliminado um comandante do grupo militante islamita Hizbul Mujaedine, sediado no Paquistão.

De turbante colorido, a contrastar com o céu cinzento da capital indiana e com as paredes vermelhas do forte onde todos os chefes do governo indiano repetem anualmente uma tradição iniciada por Jawaharlal Nehru há 69 anos, Modi centrou-se ontem sobretudo nas vitórias do seu executivo. Eleito em 2014, com uma vitória histórica do seu BJP (nacionalistas hindus) sobre o Partido do Congresso de Rahul Gandhi, o primeiro-ministro tem apostado no desenvolvimento da economia, um dos seus pontos fortes quando era ministro-chefe do Gujarat.

Uma das prioridades do executivo tem sido a luta contra a inflação. O objetivo, segundo Modi, é chegar aos 4%. Uma das maiores vitórias do atual primeiro-ministro foi a aprovação de uma lei que prevê a introdução, a partir do próximo ano, de um imposto nacional sobre bens e serviços. Este vira "dar força" à economia, explicou Modi no seu discurso, agradecendo aos partidos da oposição terem aprovado a sua introdução por unanimidade

Este imposto vai permitir unir uma economia de dois biliões de dólares (a sétima do mundo) e 1300 milhões de pessoas num mercado único pela primeira vez. Se se confirmar que promove o crescimento económico e a criação de empregos, pode ser essencial para Modi obter o segundo mandato em 2019.

Mais conhecido pelos sucessos económicos e pelas acusações de não ter agido a tempo durante os confrontos inter-religiosos de 2002 no Gujarat, que resultaram na morte de centenas de pessoas, do que pelos dotes de orador, Modi não deixou mesmo assim ontem de lançar uma mensagem de união aos indianos: "Uma sociedade, um sonho, uma resolução, um destino - seguimos nessa direção", afirmou.

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