Manifestação contra a gestão da pandemia entope centro de Madrid

Manifestação do Vox a pedir a demissão do governo espanhol devido à gestão da crise da covid-19 colapsou a capital. Seria só de carro e motos, mas muitas pessoas saíram para a rua sem guardar distância.

A manifestação do partido de extrema-direita Vox contra a forma como o governo de esquerda de Espanha tem gerido a crise da covid-19 colapsou o centro de Madrid, descreve a imprensa. Convocada para o fim da manhã deste sábado, era para ser só de carro e motos, mas, com o calor, muitas pessoas saíram dos veículos, ocupando as ruas sem guardar o distanciamento social.

Madrid não foi a única cidade espanhola a ser palco das manifestações, já que estas foram convocadas em 50 cidades, incluindo Barcelona, Sevilha, Málaga, Valência, Córdoba e Bilbao. Os protestos tiveram menos repercussão fora da capital do país, Segundo fonte policial, participaram 500 veículos em Barcelona. Querem a demissão do governo pelas consequências da pandemia no país.

A Delegação do Governo estima em seis mil o número de veículos em Madrid, o que representa 15 mil manifestantes se tivermos em conta uma média de 2,5 ocupantes por viatura. Isto na zona onde a manifestação foi autorizada

Circularam em marcha lenta, buzinando e exigindo a demissão do governo espanhol, uma coligação constituída pelo PSOE (Partido Social Operário Espanhol) e Unidos Podemos.

O executivo, que é presidido por Pedro Sanchez (PSOE) e tem como vice Pablo Iglésias (Unidos Podemos), tomou posse a 13 de janeiro deste ano. E, hoje, à margem da apresentação de medidas de desconfinamento - como o regresso da liga de futebol a 8 de junho e a abertura ao turismo internacional e 1 de julho - Pedro Sanchez descartou qualquer hipótese de demissão, sublinhado que a coligação tem um compromisso de quatro anos.

O Vox convocou o protesto em veículos para evitar a aglomeração de pessoas, só que na prática isso não aconteceu. "Para andar no bairro de Salamanca esta manhã era imprescindível a máscara. Não só porque se tornava impossível manter a distância social de dois metros, como pelo forte cheiro a combustível que impregnava o ambiente. Ao chegar à Porta de Alcalá, motoristas com bandeiras espanholas aceleravam as suas máquinas de grande cilindrada perante o aplauso de alguns transeuntes", descreve o El País

Chamaram à ação de protesto "Caravana da Liberdade" e uma hora antes do seu início (12:00 em Espanha, mais duas que em Lisboa), os carros e motos já se aglomeravam junto à Praça Cibeles, para onde confluem as principais artérias de Madrid.

Eram mais os manifestantes fora dos carros do que no seu interior, uma vez que, com o trânsito parado e uma temperatura de 30 graus era impossível permanecer no interior. Tornou-se claro que seria impossível manter uma distância de dois metros de grupo para grupo e a solução encontrada pelas autoridades foi pedir que usassem uma máscara,

Num autocarro de dois andares, seguiam os dirigentes do Vox: Santiago Abascal (presidente), Javier Ortega Smith (secretário-geral), Iván Espinosa de los Monteros (porta-voz parlamentar), Rocío Monasterio (líder regional) ; e Macarena Olona (secretário-geral).

Circularam pelas ruas de Madrid, liderando os protestos, ao mesmo tempo que era lançado fumo com as cores da bandeira espanhola: vermelho e amarelo. A manifestação foi transmitida em direto pela EsRadio, o canal oficial do partido

Abascal apelidou Pablo Iglesias de "novo comunista com rabo de cavalo longo e compreensão curta "e exortou seus seguidores a " ficar na rua ", mantendo protestos diários ao governo, apesar da ameaça de" multas ilegais ", contra aqueles que querem a Espanha" rasgada, pobre e aprisionada ".

A Pedro Sanchéz disse: "Deixa o teu desejo pela renúncia do Governo ser ouvido", Algumas das viaturas ostentavam mensagens que lhe eram dirigidas contra o "Partido Comunista Chinês", ao som de música militar e o hino de Espanha.

Durante o protesto foram destacadas várias informações, como "40 000 mortos, 8 milhões de desempregados, 100 000 empresas fechadas, casos de fome. Vota no PSOE, sente vergonha". Os últimos dados indicam, 28 628 mortes e 281 904 infetados com a SARS-Covid-2

Futebol e turismo

Este sábado Pedro Sanchez anunciou, em conferência de imprensa, a abertura das fronteiras a 1 de julho, prometendo garantias de segurança sanitária aos turistas, apelando aos espanhóis que fizessde férias no país.

"Haverá temporada turística estão verão", assumiu o presidente Pedro Sánchez que desafiou os profissionais da hotelaria a "reiniciarem a sua atividade em poucos dias", uma vez que defendeu que o setor turístico tem um "papel fundamental" na economia e na criação de emprego em Espanha.

Também a liga de futebol espanhol vai retomar, a 8 de junho e à porta fechada. Foi interrompida a 12 de março, quando faltavam disputar 11 jornadas.

Em relação à pandemia, Sanches referiu que o índice de reprodução (IR) do novo vírus é de 0,20, sublinhado que Espanha está muito longe da situação de há dois meses, "quando uma pessoa infetada transmitia a doença a mais de três pessoas".

A partir de segunda-feira, assumiu, toda a Espanha está na fase um e dois e, portanto, podem reencontrar-se familiares e amigos, o comércio e esplanadas poderão reabrir e as ruas recuperarão a sua vitalidade com a "necessária prudência e responsabilidade".

O governo espanhola aprova a declaração de luto oficial de dez dias, as mais prolongadas na atual democracia, a partir de terça-feira, quando todo o território espanhol estiver na fase um de abrandamento.

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