Mais de 30 mil infetados em Nova Iorque. "O 11 de Setembro comparado com isto não é nada"

O testemunho de um médico espelha a gravidade que se vive no estado mais afetado pela pandemia de covid-19 nos EUA. Em Nova Iorque já morreram 385 pessoas e mais de 30 mil estão infetadas.

O estado de Nova Iorque é o epicentro do surto do novo coronavírus nos Estados Unidos, com mais de 30 mil pessoas infetadas. 385 pessoas já morreram, a maioria na cidade de Nova Iorque, segundo o último balanço, divulgado esta quinta-feira pelas autoridades. O estado concentra atualmente cerca de metade dos casos em todo o território dos EUA, que regista perto de 70 mil infetados e um milhar de óbitos.

"É um inferno bíblico", diz o médico Steve Kasspidis, que, em declarações à Sky News, não esconde o drama que os profissionais de saúde estão a enfrentar todos os dias, à medida que o número de casos e mortes aumenta.

Médico no Hospital Mount Sinai, em Queens, Kasspids conhece bem a realidade da pandemia em Nova Iorque, cidade com o maior número de infetados e mortos nos EUA. "As pessoas entram, são entubadas, morrem, e o ciclo repete-se", relata, com desânimo na voz. O sistema de saúde, diz, "está sobrecarregado por todo o lado".

"O 11 de setembro comparado com isto não é nada", afirmou Steve Kasspidis, que não esconde o medo pelo que está a acontecer na cidade, no país e em todo o mundo. "A minha filha é estagiária no hospital de Brooklyn, é residente do primeiro ano. Ela começa hoje na unidade dos cuidados intensivos. Não consegui dormir a noite passada. É assustador", reconhece o médico.

Devido ao elevado número de vítimas mortais, as autoridades da cidade de Nova Iorque decidiram colocar dois camiões de refrigeração para servirem de morgue improvisada no local onde foi usado o mesmo sistema para fazer face às mortes do ataque terrorista do 11 de setembro de 2001.

Situação vai agravar-se em abril. "Sem dúvida", diz governador

Na quarta-feira, o governador de Nova Iorque, Andrew Cuomo, admitiu que a situação irá agravar-se e que "abril, sem dúvida, será pior que março". "O meu medo é que maio seja ainda pior que abril. É com esta realidade que nos confrontamos", disse aos jornalistas.

Cuomo reconheceu que é preciso aumentar a capacidade das unidades hospitalares perante o número avassalador de infetados, que cresce de dia para dia.

"Temos 53 000 camas hospitalares, com 3000 de cuidados intensivos. Para o pico da curva, precisaremos de 140.000 camas. Esses números são astronómicos e preocupantes, superiores aos estimados anteriormente. Estamos a procurar todas as opções agressivamente", afirmou Cuomo.

Esta quinta-feira, o estado de Nova Iorque, com cerca de 20 milhões de habitantes, registava 37 000 casos confirmados de covid-19, contra mais de 30 000 na quarta-feira, precisou em conferência de imprensa Andrew Cuomo.

"O que aconteceu foi que as pessoas estavam com um respirador [artificial] nos hospitais", disse o governador. "Quanto mais ficarem com um respirador, mais aumenta a probabilidade de um desfecho trágico. De momento existem pessoas que estão com um respirador há 20, 30 dias".

No entanto, repetiu que o Estado possui respiradores suficientes para as necessidades imediatas, mesmo que sejam necessários novos aparelhos em breve.

O número de mortos registados nos EUA devido ao novo coronavírus ultrapassou os 1000 na noite de quarta-feira.

Os EUA, que de início observaram à distância a propagação da epidemia na China e de seguida na Europa, estão agora perto de ultrapassar a Itália em número de casos motivados pela doença.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de meio milhão de pessoas em todo o mundo. Quase 23 mil pessoas já morreram.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

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