Legislativas para ultrapassar impasse político em Bissau

Conflito entre o presidente, eleito como candidato do PAIGC em 2014, e algumas das principais forças partidárias deve prosseguir.

Ainda não há uma data para as eleições legislativas de 2018 na Guiné-Bissau, mas todas as movimentações e cálculos políticos estão apontados para a votação que deve decorrer muito provavelmente a meio do ano. A primeira etapa do processo é já em janeiro com o congresso do PAIGC, em que o seu dirigente, Domingos Simões Pereira, vai recandidatar. São ainda esperadas outras candidaturas e especula-se sobre um possível regresso ao país do antigo primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior, que teve de abandonar a Guiné-Bissau na sequência do golpe militar de abril de 2012. O regresso de Gomes Júnior significaria que este estaria na disposição de voltar à política ativa, especulando-se sobre uma nova candidatura às presidenciais (Gomes Júnior ia disputar a segunda volta das presidenciais de 2012 com o já falecido Kumba Ialá quando se deu o golpe) ou a tentativa de dirigir de novo o PAIGC.

Simões Pereira ganhou as legislativas de 2014 mas, após um ano e meio como primeiro-ministro, foi demitido pelo presidente José Maria Vaz, abrindo-se a crise política que dura até hoje e que deu origem a uma cisão no PAIGC, com 15 deputados a serem expulsos do partido por apoiarem o governo de iniciativa presidencial dirigido pelo atual primeiro-ministro, Umaro Sissoco Embaló.

A Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) tem procurado mediar uma solução para a crise, mas persistem as posições divergentes do presidente e dos partidos que o apoiam, entre os quais o PRS (segundo força mais votada em 2014), e o PAIGC e outras forças políticas. Isso mesmo ficou claro no passado dia 21, após um encontro de José Maria Vaz com dirigentes partidários, em que este apresentou uma solução para a crise que passava pela nomeação de um primeiro-ministro de consenso dos partidos representados no Parlamento e a confiança do presidente guineense. Esta última componente foi considerada desnecessária e sinal de que José Maria Vaz continua a interferir num processo político em que não deve ser parte. O atual presidente foi eleito em 2014 como candidato do PAIGC, mas desde 2015 que entrou em rota de colisão com o partido.

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