Sociedade civil tunisina contra visita do príncipe herdeiro saudita

Mohammed bin Salman, que é acusado pela imprensa e por responsáveis turcos de ter ordenado a morte do jornalista Jamal Khashoggi, é esperado esta terça-feira em Tunes.

Sindicatos e associações cívicas tunisinas apelaram hoje à realização de manifestações contra a visita do príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman (MBS), esperado na terça-feira em Tunes, no âmbito da sua primeira deslocação ao estrangeiro desde o assassínio do jornalista Jamal Khashoggi.

O jornalista saudita Jamal Khashoggi, editorialista e crítico do regime de Riade, foi assassinado e desmembrado a 2 de outubro no consulado do seu país em Istambul, um caso que degradou internacionalmente a imagem da Arábia Saudita e nomeadamente a do príncipe herdeiro, acusado pela imprensa e responsáveis turcos de ter ordenado o crime.

Mohammed bin Salman, que já visitou os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein, deve ficar algumas horas em Tunes, segundo anunciou a presidência tunisina, citada pela agência France-Presse.

Esta vai ser a primeira visita de um membro da família real saudita desde a revolução de 2011 na Tunísia, em que o ex-ditador Zine el Abidine Ben Ali foi derrubado e depois se refugiou na Arábia Saudita.

Um dos sindicatos que está contra a visita é o dos Nacional dos Jornalistas tunisinos (SNJT), que colocou na sua sede um cartaz em que aparece um saudita desenhado de costas, com uma motosserra na mão e em que se lê "Não à profanação da Tunísia, país da revolução".

Numa carta aberta à presidência turca, o SNJT denunciou que "a visita do herdeiro saudita, constitui um perigo para a segurança e a paz na região e no mundo, e uma verdadeira ameaça à liberdade de expressão".

A visita do príncipe MBS é "uma violação flagrante aos princípios da nossa revolução", lê-se ainda.

Nas redes sociais na Tunísia, vários utilizadores reagiram ao anúncio da visita com o hashtag "La Ahla bika fi Tounès", em árabe, que significa em português "Não és bem-vindo à Tunísia".

Várias organizações da sociedade civil, incluindo o SNJT, a Liga dos Direitos Humanos ou a Associação das Mulheres Democratas (ATFD) convocaram uma manifestação para o centro de Tunes contra a visita, para as 17.00 locais (16.00 em Lisboa).

Outras organizações, como a União Geral dos Estudantes Tunisinos (UGET) em Sfax, no sul do país, também convocaram manifestações para terça-feira de manhã em Tunes e em Sfax.

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