Jornalista uzbeque libertado após 18 anos na prisão

Mouhammad Bekjanov era um dos jornalistas que cumpria uma das mais longas penas de prisão do mundo, segundo organizações de defesa dos direitos humanos

Um jornalista uzbeque foi libertado após ter cumprido mais de 18 anos de prisão, anunciou hoje a ONG de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW).

As autoridades uzbeques libertaram Mouhammad Bekjanov, um jornalista conotado com os círculos da oposição, segundo familiares citados pela HRW.

"Dizem que foi liberado e que está a caminho de Tachkent", declarou à agência noticiosa AFP Hugh Williamson, diretor da divisão Europa e Ásia Central da HRW.

Mouhammad Bekjanov era um dos jornalistas que cumpria uma das mais longas penas de prisão do mundo, segundo diversas ONG de defesa dos direitos humanos.

Instalada nos Estados Unidos, a filha Aïgoul Bekjan declarou-se no 'Facebook' "feliz" por ter conhecimento da libertação de seu pai, mas afirmou estar "louca de cólera por saber que perdeu 18 anos da sua vida para nada".

As autoridades uzbeques não confirmaram a libertação.

Até ser detido em 1999, Mouhammad Bekjanov era diretor de informação do diário da oposição Erk e, nos seus artigos, não hesitava em criticar o governo de Islam Karimov, presidente do país desde a independência em 1991 até à sua morte, em setembro de 2016.

Após uma série de atentados em Tachkent em 1999, foi condenado a 15 anos de prisão por cumplicidade, durante um processo considerado pelos seus apoiantes como totalmente fraudulento.

Em 2012, a sua pena foi prolongada por mais cinco anos. Segundo diversas ONG, o jornalista cumpriu parte da pena em regime de isolamento.

Pai de três filhos, Mouhammad Bekjanov recebeu em 2013 o prémio para a Liberdade de imprensa atribuído pela organização francesa Repórteres sem fronteiras (RSF).

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