Jihadistas de Paris estavam bem preparados. Salah queixa-se de procurador

Atentados na capital francesa foram um ponto de viragem no método operacional do Estado Islâmico, diz relatório

Os operacionais do Estado Islâmico que participaram nos atentados de 13 de novembro em Paris estavam bem informados sobre as mais variadas táticas terroristas para dificultar a resposta das autoridades e sabiam como explorar as fraquezas das fronteiras europeias, viajando de um país para o outro sem serem detetados. Estas são algumas das conclusões de um relatório de 55 páginas da polícia antiterrorismo francesa noticiado pelo The New York Times.

O documento mostra que o Estado Islâmico passou a ser um grupo capaz de executar atentados em larga escala e que, nos últimos dois anos, ataques falhados supervisionados por Abdelhamid Abaaoud, o estratega de Paris, serviram como teste.

Nos locais onde ocorreram os atentados de Paris, mas também num apartamento nos arredores da capital francesa e num outro na Bélgica, foram encontrados vestígios de triperóxido de triacetona (TATP), os explosivos que se tornaram a assinatura do Estado Islâmico na Europa. Motivo: pode ser feito com produtos comuns como acetona e descolorante de cabelo, refere o relatório citado pelo jornal norte-americano, acrescentando que os jihadistas estão a ser treinados desde 2013 para fazer e usar TATP.

Os atentados de Paris representam uma mudança de estratégia do Estado Islâmico, que abandonou a política de alvos específicos e simbólicos para apostar em ataques em larga escala. Nesse sentido, na capital francesa apostaram também na combinação da forma de operação, que até agora usavam em separado: tiroteio, explosões e tomada de reféns, provocando o caos na resposta das autoridades.

O relatório chama a atenção para uma mudança do uso de meios de comunicação entre os terroristas. Em Paris usaram de forma disciplinada telemóveis descartáveis - não foram encontrados quaisquer e-mails ou conversas online via chat, por exemplo - ou recorreram aos aparelhos dos seus reféns.

Este último ponto leva as autoridades francesas a acreditar que o Estado Islâmico poderá estar a usar um sistema de comunicação encriptada, escreve o The New York Times. Dúvida que poderá vir a ser respondida por Salah Abdeslam, suspeito dos atentados de Paris, capturado vivo na sexta-feira em Molenbeek, e que já começou a ser interrogado pelas autoridades belgas.

O advogado de Abdeslam, soube-se ontem, vai apresentar queixa contra o procurador de Paris, que no sábado revelou à imprensa partes do interrogatório ao seu cliente. "A leitura de parte da audição de Abdeslam em conferência de imprensa constitui uma violação" do segredo de justiça, disse Sven Mary ao Le Soir.

O mais recente ataque do Estado Islâmico ocorreu neste sábado em Istambul, matando quatro pessoas e ferindo 36, entre elas um português. A informação foi confirmada pelo ministro do Interior turco, Efkan Ala, que adiantou que o suicida era Mehmet Öztürk, nascido em 1992 em Gaziantep, no Sudeste do país.

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