"Já chega!', diz China aos EUA durante reunião do Conselho de Segurança da ONU

"Antes de apontar o dedo aos outros, qual é a causa dos sete milhões de casos de infeção e mais de 200.000 mortes nos Estados Unidos?", questionou o embaixador chinês.

A China voltou a indignar-se, desta vez na ONU, e quando, uma vez mais, os EUA acusaram o país de ser o responsável pela pandemia. Aconteceu durante uma reunião por videoconferência do Conselho de Segurança.

"Já chega! Já criaram problemas suficientes no mundo!", disse Zhang Jun, embaixador chinês na ONU, dirigindo-se à embaixadora norte-americana Kelly Craft, e sob o olhar impassível do chefe da ONU, o português António Guterres.

"Antes de apontar o dedo aos outros, qual é a causa dos sete milhões de casos de infeção e mais de 200.000 mortes nos Estados Unidos?", questionou o embaixador chinês, acusando Washington de espalhar "o vírus da desinformação", além de "mentir" e "enganar".

"Uma grande potência deve comportar-se como uma grande potência"

Agir desta forma "não resolverá nenhum problema", insistiu. "Parem de politizar o vírus (...) uma grande potência deve comportar-me como uma grande potência", disse ainda, antes de receber o apoio do seu colega russo, Vasily Nebenzia.

Durante a reunião liderada pelo presidente nigeriano Issufu Mahamadu e na qual participaram os líderes da Tunísia e da Estônia, além dos chanceleres da Rússia e de França, Kelly Craft reiterou as acusações feitas pelo presidente Donald Trump na terça-feira durante o seu discurso perante a Assembleia Geral da ONU.

"Deveria ter vergonha! Estou chocada e indignada com o conteúdo da discussão de hoje", disse Craft no início do seu discurso.

"Na verdade, estou bastante envergonhada deste Conselho, com membros que aproveitaram a oportunidade para se concentrar em ressentimentos políticos em vez de [se concentrarem] na questão crítica da agenda", acrescentou.

"A decisão do Partido Comunista Chinês de ocultar a origem deste vírus, de minimizar o perigo e de suprimir a cooperação científica transformou uma epidemia local numa pandemia global", denunciou a embaixadora.

"Mais importante ainda, essas decisões já custaram centenas de milhares de vidas em todo o mundo. Centenas de milhares".

Após o discurso do embaixador chinês, Craft desapareceu da imagem e foi substituída por um diplomata de segundo escalão da missão dos Estados Unidos na ONU.

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