Irão convida Boeing a participar na investigação sobre queda de avião ucraniano

A decisão acontece após o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, e o seu homólogo britânico, Boris Johnson, terem afirmado que o avião parecia ter sido atingido acidentalmente por um míssil, num momento de crescentes tensões entre os EUA e o Irão.

O Irão convidou a Boeing a participar da investigação de um avião ucraniano que caiu em Teerão na quarta-feira, matando todas as 176 pessoas a bordo, avançou esta sexta-feira a agência de notícias estatal IRNA.

A decisão ocorre após o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, e o seu homólogo britânico, Boris Johnson, terem afirmado que o avião parecia ter sido atingido acidentalmente por um míssil, num momento de crescentes tensões entre os Estados Unidos e o Irão.

O Irão "convidou a Ucrânia e a empresa Boeing a participar das investigações", escreveu a IRNA, citando um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.

O porta-voz Abbas Mousavi adiantou que também participam na investigação especialistas de outros países, cujos cidadãos morreram no acidente.

Autoridades norte-americanas, canadianas e britânicas declararam que é "altamente provável" que o Irão tenha abatido acidentalmente o avião civil que caiu perto de Teerão.

A agência norte-americana para a segurança dos transportes, a NTSB, anunciou na quinta-feira à noite que vai participar no inquérito ao acidente do Boeing ucraniano, após ter recebido uma notificação das autoridades aéreas civis do Irão.

Ao abrigo das regras da Organização da Aviação Civil Internacional, a NTSB designou um representante para o inquérito à catástrofe, que causou a morte de todas as 176 pessoas a bordo, na maioria iranianos e canadianos.

Também na quinta-feira, o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, tinha afirmado que o Boeing 737-800 da companhia aérea privada ucraniana Ukraine International Airlines (UIA) tinha sido, sem dúvida, abatido por um míssil iraniano, provavelmente por engano, de acordo com os serviços de informações canadianos e aliados.

O mesmo afirmou Boris Johnson, primeiro-ministro britânico, que disse em comunicado haver informações seguras apontando que um míssil atingiu o avião. Alguns media norte-americanos citaram fontes do Pentágono para avançar que também os EUA têm relatórios que apontam nesse sentido, o que Trump, sem confirmar, deixou perceber em declarações públicas.

No avião seguiam 63 canadianos e quatro britânicos entre as 176 pessoas a bordo. Em conferência de imprensa, o primeiro-ministro do Canadá referiu que os serviços secretos canadianos, em ligação com serviços de outros países, podem avançar que o Boeing 737 foi abatido. Tudo indica, disse o governante, que terá sido um míssil terra-ar das defesas antiaéreas iranianas e poderá ter sido acidental.

Avião despenhou-se dois minutos depois de ter descolado

O Irão pediu de imediato ao Canadá para partilhar essas informações, alegando "cenários duvidosos".

Por seu lado, o presidente dos Estados Unidos manifestou dúvidas sobre a tese de um problema mecânico. "Sinto que alguma coisa terrível aconteceu", disse Donald Trump, ao referir um "possível erro".

O aparelho descolou de Teerão, com destino a Kiev, despenhando-se dois minutos após a descolagem.

A Ucrânia enviou para Teerão uma equipa de 45 investigadores para estudar as causas do desastre aéreo.

A tese de que a aeronave foi derrubada por balística iraniana também é partilhada pelo primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, que disse ter "um conjunto de informações" de que o Boeing 737 ucraniano foi "abatido por um míssil iraniano terra-ar".

Quatro oficiais norte-americanos que falaram sob a condição de anonimato, citados pela agência de notícias Associated Press, referiram que o avião ucraniano poderá ter sido confundido como uma ameaça por parte de Teerão.

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