Venezuela. Os países que reconheceram Guaidó

Vários países latino-americanos vieram imediatamente reconhecer o líder da Assembleia Nacional como presidente do país. Europa mostra-se cautelosa

Mal se declarou presidente interino da Venezuela, vários chefes de Estado vieram reconhecer Juan Guaidó. Donald Trump, presidente dos Estados Unidos foi dos primeiros a fazê-lo. A Europa mantém-se cautelosa perante os acontecimentos, ao contrário das potências latino-americanas que vieram apoiar e reconhcer o presidente da Assembleia Nacional.

"Os cidadãos da Venezuela já sofreram demasiado nas mãos do regime ilegítimo de Maduro. Hoje, reconheci oficialmente o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, como presidente interino da Venezuela", escreveu Trump no Twitter.

O Canadá veio igualmente reconhecer Guaidó como presidente interino.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, falou da crise venezuelana antes da declaração de Juan Guaidó. Para dizer que a prioridade da diplomacia portuguesa é garantir a segurança dos portugueses que vivem na Venezuela e espera que as manifestações neste país sejam "pacíficas".

"Respeito a decisão dos outros países [...], mas a segurança física dos portugueses que vivem na Venezuela é a prioridade número um" da diplomacia portuguesa, disse Augusto Santos Silva, numa conferência de imprensa acompanhado pelo chefe da diplomacia espanhola, Josep Borrell.

Já depois da autoproclamação de Guaidó, Augusto Santos Silva tuitou: "Apelamos a que não haja violência na Venezuela, que seja respeitada a legitimidade da Assembleia Nacional e que seja também respeitado o direito das pessoas a manifestarem-se pacificamente."

Por seu turno, também o ministro do Exterior espanhol preferiu sublinhar a importância de "preservar a unidade de ação" da União Europeia antes da crise institucional venezuelana. E, nesse sentido, apelou a que se realize um debate debate de todos os chefes da diplomacia europeia.

Enquanto o governo espanhol não toma qualquer decisão, alguns venezuelanos vão-se juntando nas Portas Del Sol, em Madrid, pedindo ao presidente do Governo que reconheça Guaidó. Partidos da oposição acompanham esse pedido.

A cautela da União Europeia está patente nas declarações dos seus mais altos dignatários. Numa primeira declaração, o presidente do Conselho Europeu disse esperar que "toda a Europa se una em apoio às forças democráticas na Venezuela." Donald Tusk acrescentou: "Ao contrário de Maduro, a Assembleia - incluindo Juan Guaidó - tem uma mandato democrático dos cidadãos venezuelanos."

Já a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini divulgou um comunicado em que apela à realização imediata de "eleições credíveis e transparentes", sem fazer referência ao juramento de Juan Guaidó. Limita-se a pedir respeito pela "segurança e liberdade" de Guaidó e dos restantes deputados da Assembleia Nacional (que está nas mãos da oposição a Maduro).

Países da América Latina ao lado do autoproclamado presidente

O contraste da reserva europeia é grande com os países maericanos. O uruguaio Luis Almagro, secretário-geral da Organização de Estados Americanos, escreveu no Twitter uma mensagem a felicitar Guaidó. "Tem todo o nosso reconhecimento para impulsionar o regresso do país à democracia".

Depois de Trump, outros chefes de Estado, nomeadamente da América Latina, vieram colocar-se ao lado do presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, que tem liderado a oposição a Nicolás Maduro e considera o seu segundo mandato ilegítimo.

O secretário-geral da Organização de Estados Americanos, o uruguaio Luis Amaro, usou igualmente o Twitter para felicitar Guaidó. "Tem todo o nosso reconhecimento para impulsionar o regresso do país à democracia."

Sebastián Piñera também reconheceu imediatamente Guaidó. "O governo do Chile, como o Grupo de Lima, decidiu reconhecer Guaidó. Manifestamos o nosso total apoio na sua missão para avançar com vista à recuperação do Estado de Direito. O seu mandato é muito claro. Restabelecer a democracia na Venezuela com eleições livres, limpas e transparentes. A Assembleia Nacional da Venezuela é a única instituição democraticamente eleita e com plena legitimidade. Maduro é parte do problema e não da solução", escreveu o chefe de Estado chileno no Twitter.

"O Brasil reconhece o senhor Juan Guaidó como Presidente Encarregado [interino] da Venezuela", escreveu no Twitter o chefe de Estado brasileiro, atualmente em Davos, na Suíça, onde participa no Fórum Económico Mundial. Jair Bolsonaro referiu que a entrada em funções por Guaidó está "de acordo com a Constituição daquele país".

Além do Brasil e do Chile, também o Paraguai, Equador, Peru, Colômbia e Costa Rica já deram o seu aval a Juan Guaidó como autoproclamado presidente interino dos venezuelanos.

Mauricio Macri, chefe de Estado da Argentina, foi dos últimos a vir dar o seu apoio ao líder da oposição venezuelana, como presidente interino. Seguiu-se a Guatemala.

Já o México anunciou que não o reconhecerá "por enquanto".

Países como Cuba e Bolívia saíram em defesa Maduro. Evo Morales mostrou-se solidário e o cubano Miguel Díaz-Canel fez questão de dar todo o apoio ao seu alidado: "O nosso apoio e solidariedade a Nicolás Maduro perante as tentativas imperialistas para descredibilizar a Revolução Bolivariana."

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