Tolentino de Mendonça assume hoje arquivo secreto e biblioteca do Vaticano

Arcebispo José Tolentino de Mendonça inicia hoje as suas funções à frente do Arquivo Secreto do Vaticano, a biblioteca mais antiga do mundo.

O arcebispo português José Tolentino de Mendonça assume hoje a responsabilidade pelo Arquivo Secreto do Vaticano e pela mais antiga biblioteca do mundo, a Biblioteca Apostólica, com a preocupação de preservar "um grande tesouro da igreja e da humanidade".

Ordenado arcebispo em julho, Tolentino de Mendonça foi nomeado pelo papa como arquivista e bibliotecário do Vaticano para, segundo disse Francisco na altura, aproximar a Igreja e a cultura.

Na sua ordenação como arcebispo, Tolentino de Mendonça assegurou que continuará a ser padre e escritor, mas que irá passar a ter outra preocupação.

"A minha preocupação será, por um lado, a de preservar aquele repositório, que é um grande tesouro da igreja e da humanidade e ao mesmo tempo pô-lo a dialogar com a contemporaneidade", afirmou na altura.

"Instrumento do diálogo e aproximação entre Igreja e cultura"

Tolentino de Mendonça defendeu que "é preciso ir além de uma certa ficção que romanceou muito aquele arquivo privado", sublinhando que o arquivo "está muito aberto à sociedade" e tem "mais de dois mil investigadores creditados".

"O Santo Padre espera de mim que eu continue a ser um instrumento de diálogo e de aproximação entre a Igreja e a cultura. É isso que farei, a partir da Biblioteca Apostólica, sem dúvida colocando ao serviço da igreja aquilo que são os meus talentos e a minha forma de ser e a escrita é uma forma de comunicação, na qual continuarei a apostar como o lugar de representação, de comunicação de Jesus no mundo de hoje", afirmou.

Padre desde os 24 anos e poeta, mas também ensaísta e professor, Tolentino de Mendonça, nascido na Madeira em 1965, é formado em teologia bíblica.

É autor de dezenas de publicações, especialmente de poesia, mas também de ensaios e textos pastorais, e foi galardoado em 2001 com a ordem do Infante D. Henrique, e em 2015 com a Ordem de Sant´Iago de Espada

Ler mais

Exclusivos

Premium

Pedro Lains

O Banco de Portugal está preso a uma história que tem de reconhecer para mudar

Tem custado ao Banco de Portugal adaptar-se ao quadro institucional decorrente da criação do euro. A melhor prova disso é a fraca capacidade de intervir no ordenamento do sistema bancário nacional. As necessárias decisões acontecem quase sempre tarde, de forma pouco consistente e com escasso escrutínio público. Como se pode alterar esta situação, dentro dos limites impostos pelas regras da zona euro, em que os bancos centrais nacionais respondem sobretudo ao BCE? A resposta é difícil, mas ajuda compreender e reconhecer melhor o problema.