Sri Lanka. Radicais islâmicos sob suspeita das autoridades

Um grupo recém-formado de extremistas islâmicos estaria há vários dias sob vigilância das autoridades cingalesas, que temiam atentados suicidas contra igrejas. O Conselho Muçulmano do país já condenou os ataques aos "irmãos cristãos".

De acordo com a Agência France-Presse (AFP), a polícia do Sri Lanka tem estado em alerta nos últimos dias, temendo que um recém-criado grupo radical islâmico - National Thowheed Jamath (NTJ) - executasse atentados suicidas contra igrejas católicas.

As autoridades anunciaram já a detenção de sete suspeitos mas ainda não foi confirmada a sua ligação a este grupo. O governo apenas confirma que são extremistas religiosos, para evitar que haja reações contra a comunidade em causa.

Entretanto, o Conselho Muçulmano do Sri Lanka - uma comunidade que representa menos de 10% da população, que tem uma maioria budista, com cerca de 70% - já veio condenar os atentados "contra os irmãos e irmãs cristãos na celebração da Páscoa", bem como "nos hotéis em Colombo". O Conselho assinala o seu pesar pela perda de "vidas inocentes devido a elementos extremistas e violentos que querem criar divisões entre religiões e grupos étnicos para marcar a sua agenda".

De acordo ainda com a AFP, citada pela revista Time, em janeiro passado, a polícia daquele país apreendeu explosivos e detonadores e deteve quatro elementos do NTJ. De acordo com a Reuters, vários muçulmanos do Sri Lanka juntaram-se ao ISIS, na Síria.

Os ataques deste domingo mataram mais de 200 pessoas e fizeram mais de meio milhar de feridos. Entre eles estão cerca de três dezenas de estrangeiros, um dos quais português.

O Sri Lanka declarou estado de emergência em 2018, depois de multidões de budistas terem atacado mesquitas, casas e propriedades muçulmanas na cidade de Kandy. Estes ataques terão sido a retaliação a um espancamento de um budista por um muçulmano.

Durante 30 anos, o Sri Lanka foi palco de uma guerra civil sangrenta, envolvendo a maioria budista contra os tamiles do norte, que reivindicavam um Estado independente - morreram mais de 70 mil pessoas. Em 2009, a vitória do governo contra os rebeldes, conhecidos como Tigres Tamil, criou a expectativa de paz no país, mas os ódios religiosos e étnicos parecem continuar a marcar aquele território.

A Igreja Católica Romana tem origem na chegada dos portugueses àquele país, em 1505, na altura designado Taprobana. Em 2015, o Papa Francisco canonizou o santo José Vaz, missionário no século XVI. Os católicos representam cerca de 7% da população de 21 milhões de habitantes.

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Este livro de D. Ximenes Belo intitulado Missionários Transmontanos em Timor-Leste aparece numa época que me tem parecido de outono ocidental, com decadência das estruturas legais organizadas para tornar efetiva a governança do globalismo em face da ocidentalização do globo que os portugueses iniciaram, abrindo a época que os historiadores chamaram de Descobertas e em que os chamados navegantes da fé legaram o imperativo do "mundo único", isto é, sem guerras, e da "terra casa comum dos homens", hoje com expressão na ONU.