Soldado que desertou da Coreia do Norte tem "parasitas gigantes" nos intestinos

Parasita mais comprido que lhe foi retirado do corpo tem 27 centímetros. Médico diz que nunca viu nada assim em 20 anos de medicina

Um soldado norte-coreano que foi baleado sete vezes enquanto atravessava a fronteira entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, para tentar escapar ao regime de Pyongyang, tem um "enorme número" de "parasitas gigantes" nos intestinos, que estão a contaminar os ferimentos e a atrasar-lhe a recuperação.

O soldado, que fugiu na segunda-feira da Coreia do Norte atravessando a Zona Desmilitarizada até à Coreia do Sul, foi entretanto submetido a uma intervenção cirúrgica, tendo-lhe sido retiradas do corpo cinco balas, disparadas pelas tropas do regime de Kim Jong-un. Os médicos optaram por não retirar duas delas e o militar não corre risco de vida mas, apesar de estável, a situação pode piorar devido aos parasitas. O mais comprido que já lhe foi retirado do corpo tem 27 centímetros.

"Nunca vi nada assim nos meus 20 anos de medicina", disse o médico sul-coreano Lee Cook-jong aos jornalistas, citado pela BBC.

Os parasitas podem entrar no corpo humano através da comida, se o indivíduo for picado por insetos ou, então, através da pele. No caso do desertor norte-coreano, o cenário mais provável é de que tenha sido contaminado através da comida, já que a Coreia do Norte continua a utilizar fezes humanas como fertilizantes.

Se as fezes não forem tratadas e forem usadas para fertilizar legumes que são depois ingeridos crus, os parasitas entram facilmente na boca e intestinos. E ainda que a maioria dos parasitas seja inofensiva, alguns podem representar risco de vida. "O que eles fazem é retirar os nutrientes do corpo", disse à BBC o professor Peter Preiser da Escola de Ciências Biológicas da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Singapura. "De forma simples: as pessoas que têm parasitas não estão saudáveis".

Cerca de mil soldados norte-coreanos desertam anualmente, mas normalmente fazem-no através da China, sendo raros os casos de tentativas de atravessar a fronteira com a Coreia do Sul.

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