"Se EUA não cumprirem promessas, teremos de mudar de rumo". A ameaça de Kim

No discurso de Ano Novo, o líder norte-coreano deixou um alerta para Donald Trump, mas garantiu estar empenhado na desnuclearização

"Se os EUA não cumprirem as promessas feitas diante do mundo inteiro e insistirem em sanções e pressões sobre a nossa república, podemos não ter outra alternativa a não ser considerar uma nova forma de garantir a nossa soberania e os nossos interesses", afirmou Kim Jong-un no discurso de Ano Novo.

O recado do líder norte-coreano tem um destinatário claro: o presidente dos EUA Donald Trump. Um ano depois de um discurso que abriu a via para a aproximação com a Coreia do Sul e também com os EUA depois de um ano de 2017 marcado pela tensão e retórica bélica, Kim garantiu esta terça-feira continuar empenhado na desnuclearização.

Em junho, Kim e Trump reuniram-se em Singapura numa cimeira histórica em que a Coreia do Norte se comprometeu com a desnuclearização da Península coreana, mas desde então foram feitos poucos avanços.

Pausa nos testes nucleares em risco?

Destinado sobretudo à audiência interna, o discurso de Ano Novo de Kim centrou-se sobretudo na economia, mas os analistas internacionais passaram as palavras do líder a pente fino em busca de pistas sobre a política externa de Pyongyang.

Segundo a correspondente da BBC em Seul, Laura Bicker, o discurso de Kim pode significar que a Coreia do Norte está à espera que os EUA ajam em 2019 e que se tal não acontecer, a atual pausa nos testes nucleares pode chegar ao fim. Desde 2006, a Coreia do Norte já realizou seis ensaios nucleares. O país está sujeito a sanções da ONU devido ao seu programa nuclear e de mísseis balísticos.

No auge da tensão com os EUA em 2017, Kim garantiu ter mísseis com capacidade para atingir a costa leste dos Estados Unidos.

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