Rutura da barragem: oito funcionários da empresa Vale detidos

Os detidos são gestores e elementos das equipas técnicas. Vão ser investigados para detetar a autoria ou participação "em centenas" de crimes de homicídio qualificado

Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Estes foram os locais onde uma operação esta sexta-feira de manhã deteve oito funcionários da empresa brasileira Vale e do grupo alemão de consultadoria Tüv Süd. São suspeitos de serem responsáveis pela rutura da barragem do Brumadinho no passado dia 25 de janeiro.

Os detidos são gestores e elementos das equipas técnicas. Estão oficialmente contabilizados 166 mortos, um número que poderá aumentar para 315, uma vez que ainda há registo de desaparecidos.

As detenções, ordenadas pelo Ministério Público, contaram com a colaboração da Polícia Civil e da Polícia Militar.

De acordo com a Folha de S. Paulo, foram emitidos 14 mandados de busca e apreensão. As prisões são temporárias - com prazo de 30 dias - e os detidos vão ser investigados para detetar a autoria ou participação "em centenas" de crimes de homicídio qualificado.

Os funcionários da empresa respondem também por crimes ambientais e de falsidade ideológica.

No passado dia 29 de janeiro, quatro dias após a rutura da barragem, foram detidos cinco engenheiros para prestarem depoimento. Estiveram dez dias presos e foram libertados no dia 7 de fevereiro.

A empresa alemã Tüv Süd realizou uma auditoria em setembro do ano passado, que concluiu que a Vale cumpria os requisitos legais.Mas no início desta semana, um relatório interno citado pela Reuters revelou que a empresa brasileira sabia que a barragem estava em risco de entrar em colapso.

Neste mês, segundo a BBC, já foram detidos 17 funcionários para interrogatório e as ordens judiciais estão a suspender algumas das operações mais lucrativas da Vale e congelaram os ativos da empresa.

A empresa perdeu um quarto do valor de mercado desde o colapso da barragem do Brumadinho.

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