Organização angolana estima 30.000 mulheres em "escravatura moderna" no trabalho doméstico

Atrasos salariais, assédio moral e sexual e desrespeito por parte dos empregadores são algumas das reclamações das trabalhadoras domésticas.

O Comité Nacional da Mulher Sindicalizada de Angola anunciou hoje que pretende retirar, até final do ano, cerca de 30.000 trabalhadoras domésticas da "escravatura moderna" por existirem "indícios" desse tipo de trabalho no país.

"Angola assumiu as convenções internacionais contra a escravatura moderna, mas, infelizmente, há indícios que apontam para a existência desse trabalho. Daí que vamos avançar com essa medida, que visa eliminar todo o tipo de precariedade", disse a presidente do Comité, Maria Fernanda.

Falando em Luanda, durante a IV reunião ordinária do órgão, afeto à União Nacional dos Trabalhadores Angolanos - Confederação Sindical (UNTA-CS), a responsável relatou que o comité recebe "diariamente queixas" de associadas.

As reclamações, adiantou, vão desde "atrasos salariais a assédio moral e sexual e a desrespeitos por parte dos empregadores", tendo Maria Fernanda indicado que vão ser realizadas "ações de capacitação e formação" das trabalhadoras ao abrigo do decreto sobre o trabalho doméstico.

Maria Fernanda acrescentou que serão feitas igualmente campanhas porta-a-porta em todo o país, de forma a exortar as mulheres para se sindicalizarem, uma vez que apenas as províncias de Benguela, Cabinda, Luanda, Namibe, Huíla e Huambo possuem empregadas domésticas sindicalizadas.

"Existe um número reduzido de mulheres sindicalizadas e trabalha-se para que essas mulheres tenham esse direito", sustentou Maria Fernanda.

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