O fóssil humano mais antigo das Américas, dinossauros, meteoritos. O que se perdeu no fogo

Duzentos anos de história arderam no incêndio desta madrugada no Museu Nacional do Brasil. Fogo destruiu coleções, exposições e laboratórios. Coleção de vertebrados e biblioteca terão sido poupados pois estão num outro edifício

O crânio de Luzia, que ficou conhecida como a mulher mais antiga das Américas terá sido uma das vítimas do incêndio que este domingo destruiu o Museu Nacional do Brasil, que reunia mais de 20 milhões de peças.

Descoberta nos anos 70 do século passado, calculava-se que o fóssil tivesse mais de 11 mil anos. Trata-se de um dos fósseis encontrados na Lapa vermelha, região de Lagoa Santa, em Minas Gerais.

Também a coleção de fósseis de dinossauros e pterossauros (répteis voadores) terá sido afetada pelo fogo. Um dos exemplares que fazia parte da coleção - descoberto por cientistas do museu - era conhecido como Maxakalisaurus topai, um dinossauro herbívoro de 13 metros de comprimento, conta a edição online do jornal Folha de São Paulo. Recentemente, os dirigentes do museu tinham feito um peditório online para conseguir dinheiro que lhes possibilitasse avançar com a renovação da zona de exposição deste fóssil.

O Museu Nacional do Brasil, fundado por D. João VI há mais de 200 anos, tinha ainda nas suas salas o maior meteorito encontrado no país - conhecido como o meteorito de Bendegó era constituído por ferro e níquel, pesava 5,36 toneladas e media mais de dois metros de comprimento. Foi descoberto numa quinta perto da cidade de Monte Santo (Bahia) e estava no museu desde 1888. Era é uma das 62 peças que faziam parte desta área de exposições.

A instituição tinha também a maior coleção de antiguidades egípcias da América Latina - 700 peças que começaram a ser reunidas em 1826, no reinado de D. Pedro I. De acordo com a Folha de São Paulo o acervo tinha estátuas, caixões e múmias, das antigas cidades de Tebas e Abidos.

Os visitantes também podiam ver o diário da Imperatriz Leopoldina e um trono do Reino de Daomé, dado em 1811 ao príncipe regente D. João VI.

Também terão sido destruídos cerca de cinco milhões de exemplares de insetos.

Do acervo bibliográfico faziam parte livros, folhetos, obras raras, mapas, teses e dissertações pertencentes à Biblioteca do Museu Nacional e da Biblioteca Francisca Keller, do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS), e do acervo científico diversos exemplares representativos da biodiversidade, fósseis, objetos etnográficos e arqueológicos, pertencentes aos Departamentos de Antropologia, de Botânica, de Entomologia, de Geologia e Paleontologia, de Invertebrados e de Vertebrados.

Já o acervo documental era constituído por material de arquivo detido pela Seção de Memória e Arquivo (SEMEAR) e pelo Centro de Documentação em Línguas Indígenas (CELIN).

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