"Nunca me saíste do coração". O amor de Jeannine e K.T. esperou 75 anos

A francesa e o americano apaixonaram-se durante a II Guerrra Mundial, mas ele teve de voltar para os EUA. Passados 75 anos, uma equipa de jornalistas da televisão France 2 conseguiu voltar a juntá-los.

Junho de 1944, K.T. Robbins e todo o seu destacamento estão estacionados em Briey, no leste de França. É ali que o soldado americano conhece Jeannine Ganaye, uma jovem francesa de 18 anos pela qual se apaixona perdidamente. Mas ao fim de dois meses, K.T. e os outros militares têm de deixar a aldeia à pressa. A guerra chamava-os para outro lado.

"Disse-lhe que ia voltar e voltar, mas não aconteceu", contou K.T., hoje com 96 anos, aos jornalistas da televisão France 2 que o foram entrevistar na sua casa de Olive Branch, no Mississippi, para uma reportagem sobre os 75 anos do desembarque aliado na Normandia. De volta à América, casou e constituiu família. Mas nunca esqueceu a francesa. No meio dos álbuns de fotografias, K.T. encontrou uma imagem de Jeannine e confessou: "Gostava de lá voltar, encontrar a família dela. Ela, já não a devo ver, já deve ter morrido".

Estava enganado. Jeannine, agora de apelido Pierson, do marido, tem 92 anos e vive num lar em Montigny-lès-Metz, na região da Moselle. Depois de alguma investigação a equipa de jornalistas franceses conseguiu encontrá-la e voltar a juntar os dois namorados por ocasião das celebrações do desembarque em que K.T. participou na Normandia.

"Ela era muito doce. E acho que me amou", explica K.T. no comboio a caminho de Montigny-lès-Metz depois de lhe contarem que Jeannine está viva e à espera dele. O reencontro entre os dois é cheio de emoção. "Até me vieram as lágrimas aos olhos", confessa K.T. ao voltar a abraçar a antiga namorada. É como se o tempo não tivesse passado, ambos viúvos, K.T. e Jeannine sentam-se bem pertinho um do outro para falar de amor.

"Sempre te amei. Nunca me saiste do coração", confessa K.T. em inglês. "Ele diz que me ama, isso percebi", diz Jeannine, em francês. Depois da guerra aprendeu um pouco de inglês, talvez na esperança que o seu soldado americano voltasse. Afinal "quando ele partiu no camião chorei. Fiquei muito triste". E admite que gostava que ele não tivesse voltado à América.

Ele mostra-lhe a fotografia dela. Mas depressa chega a hora de se voltarem a separar. A despedida é cheia de emoção. Abraçado a Jeannine, K.T. confessa entre lágrimas: "Amo-te muita querida!" E prometem voltar a ver-se.

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