"Nós perdemos cerca de dois milhões de jovens polacos desde que aderimos à UE"

Secretário de Estado dos Assuntos Europeus polaco, Konrad Szymanski, esteve esta terça-feira em Portugal. Sobre os refugiados, disse que a Polónia quer uma nova política da UE, sobre os jovens polacos que foram para outros países, admite que é muito difícil reverter o fluxo, mas que pode ser possível, pelo menos, travá-lo.

Disse que áreas como a imigração e a defesa precisam de mais dinheiro [na UE]. Como justifica a política do seu país face às quotas de refugiados? Se em vez de muçulmanos fossem cristãos, já os aceitariam?
A Europa Central não tem experiência histórica com esta parte do mundo, ou seja, o Médio Oriente. Em países como França, por exemplo, a controvérsia não é tão grande. Acho que essa é a razão pela qual é tão difícil a nível social aceitar a passagem de competências nesta área para o nível supranacional. É uma questão de controlo. A questão cultural também explica a oposição ao sistema de quotas. O problema da imigração só pode ser resolvido com uma resposta unificada em relação às fronteiras externas e cooperação com os países de origem e de trânsito dos imigrantes. Não somos contra a solidariedade europeia, por uma questão de princípio, mas gostaríamos de a expressar de uma forma mais eficiente.

Mas ao mesmo tempo parece que a UE deixou o problema dos refugiados sírios para a Turquia. Não corre o risco de o regime turco fazer o que bem entende porque gere o problema para os europeus?
Foi uma solução extraordinária que encontrámos porque não havia outra forma de travar a crise. Mas este tipo de dependência não é a coisa mais confortável para a Europa. Temos que ver como conseguimos controlar as nossas fronteiras sozinhos, pelos nossos próprios meios. No caso do acordo com a Turquia, claro que há riscos, mas o problema que temos com Ancara é independente da crise migratória. A evolução da situação a nível interno, que preocupa muitos países na UE e afeta o processo de alargamento, é independente desse mecanismo de gestão dos refugiados.

Este fim de semana, em Portugal, o primeiro-ministro António Costa fez um apelo aos jovens portugueses que emigraram para regressarem. Já vimos isto na Polónia. Resultou? Eles voltaram?
A imigração, seja dentro da UE ou externa, é sempre uma má notícia para um país. Há uma perda das suas pessoas mais dinâmicas. Nós perdemos cerca de dois milhões de jovens polacos desde que aderimos à UE. Por exemplo, o brexit e o desenvolvimento económico da Polónia é um bom argumento para voltar, mas a proporção não é muito satisfatória. Porque, para quem se mudou com filhos e tudo é difícil decidir voltar, apenas por voltar. É preciso uma razão forte. Mas se não se consegue reverter o fluxo, pode-se pelo menos travá-lo. A imigração agora é menos na Polónia.

"O PROBLEMA NÃO ESTÁ RESOLVIDO. E VEMOS ISSO EM ITÁLIA"

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

"Corta!", dizem os Diáconos Remédios da vida

É muito irónico Plácido Domingo já não cantar a 6 de setembro na Ópera de São Francisco. Nove mulheres, todas adultas, todas livres, acusaram-no agora de assédios antigos, quando já elas eram todas maiores e livres. Não houve nenhuma acusação, nem judicial nem policial, só uma afirmação em tom de denúncia. O tenor lançou-lhes o seu maior charme, a voz, acrescida de ter acontecido quando ele era mais magro e ter menos cãs na barba - só isso, e que já é muito (e digo de longe, ouvido e visto da plateia) -, lançou, foi aceite por umas senhoras, recusado por outras, mas agora com todas a revelar ter havido em cada caso uma pressão por parte dele. O âmago do assunto é no fundo uma das constantes, a maior delas, daquilo que as óperas falam: o amor (em todas as suas vertentes).

Premium

Crónica de Televisão

Os índices dos níveis da cadência da normalidade

À medida que o primeiro dia da crise energética se aproximava, várias dúvidas assaltavam o espírito de todos os portugueses. Os canais de notícias continuariam a ter meios para fazer directos em estações de serviço semidesertas? Os circuitos de distribuição de vox pop seriam afectados? A língua portuguesa resistiria ao ataque concertado de dezenas de repórteres exaustos - a misturar metáforas, mutilar lugares-comuns ou a começar cada frase com a palavra "efectivamente"?