Nações Unidas votam fim dos combates na Síria. Cessar fogo de 30 dias

Conselho de Segurança aprovou por voto unânime dos seus 15 membros uma resolução a pedir o fim dos combates numa área de Damasco ainda nas mãos da oposição, mas estendendo o cessar-fogo a toda a Síria.

A votação foi adiada sucessivas vezes ao longo de sexta-feira para permitir a continuação de negociações e também sucessivas alterações no texto. A Rússia colocou objeções à duração do cessar-fogo, que estaria em vigor por 30 dias, e à definição do momento em que este entraria em vigor. Mas, após dois dias de intensas negociações, os cinco membros permanentes e os dez membros rotativos aprovaram a resolução por unanimidade.

De um inicial "72 horas após a adoção da resolução" passou-se para um mais genérico "sem demora", não se estabelecendo assim uma fronteira temporal para a cessação dos combates. O que favorece a estratégia do regime de Damasco e de seus aliados russos e iranianos. Fica aberto caminho para a continuação das operações militares sobre as áreas de Ghouta controladas pelas milícias da oposição, nomeadamente os grupos Jaich al-Islam (salafistas) e Faylaq al-Rahmane (sunitas, parte do Exército Sírio Livre), e as forças fiéis a Bashar al-Assad. Estas intensificaram a ofensiva na noite de sexta-feira para sábado na tentativa de consolidar as posições ganhas nos últimos dias. Os ataques aéreos também foram redobrados durante a noite, de acordo com descrições feitas às agências por residentes na área.

No ponto da resolução lê-se que o cessar-fogo, de carácter humanitário, se deve aplicar a todo o território sírio.

"Não podem imaginar o que está a suceder em Ghouta", disse à AFP um desses residentes, Salem. "Centenas de civis estão a ser mortos pelas bombas sírias, russas e iranianas, à vista de todos", prosseguiu Salem. "Não queremos que nos dêem comida ou água. Apenas que ponham fim a esta matança!", exclamou.

A operação sobre a região de Ghouta, a última nas mãos das milícias da oposição na área da grande Damasco, iniciou-se no passado dia 18 e segundo números divulgados ontem pelo Observatório Sírio dos Direitos do Homem (OSDH), ao completar-se uma semana sobre o início dos ataques a Ghouta, morreram mais de 500 civis, dos quais 123 crianças, registando-se ainda 2400 feridos, disse à AFP o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahmane.

Toda a área de Ghouta está cercada pelas forças governamentais desde 2013, verificando-se uma crescente penúria de alimentos e de medicamentos. Nela vivem mais de 400 mil pessoas que o governo de Damasco considera estarem a ser usadas como escudos humanos pela oposição.

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Anselmo Borges

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