Milionários que prometeram ajudar a reconstruir Notre-Dame ainda não deram nada

Os maiores doadores estão à espera dos planos concretos para escolher onde o dinheiro será gasto. Entretanto, são os pequenos donativos através da Fundação Notre-Dame que estão a pagar salários dos cerca de 150 trabalhadores desde o incêndio de 15 de abril.

O patrão das marcas Gucci e Saint Laurent prometeu cem milhões de euros, o dono da petrolífera Total também. O empresário por detrás da Louis Vuitton e da Dior mostrou-se disponível para dar 200 milhões de euros, assim como a fundação que gere a fortuna L'Oréal. No total, quase mil milhões de euros foram prometidos pelas famílias mais ricas de França, mas dois meses depois do incêndio que destruiu a catedral de Notre-Dame, no coração de Paris, ainda não pagaram um cêntimo.

"Os grandes doadores não pagaram. Nem um cêntimo", disse André Finot, assessor de imprensa na Notre-Dame, à agência AP. "Eles querem saber onde é que o dinheiro deles vai ser gasto e concordar antes de o entregar, não apenas pagar o salário dos funcionários", acrescentou.

Enquanto o dinheiro dos grandes doadores não chega, os trabalhos de estabilização da estrutura e de limpeza continuam, com entre 60 a 150 trabalhadores cujos salários são pagos pelos pequenos doadores, que têm enviado dinheiro através das organizações de caridade. Na página de Internet da catedral, é possível enviar donativos para o Fundo da Catedral de Paris, gerido pela Fundação Notre-Dame.

A 15 de abril, por volta das 18.30, o mundo assistiu incrédulo ao incêndio que devastou grande parte da catedral parisiense, que estava a passar por obras de reconstrução no pináculo. Foi perto dos andaimes que o fumo começou a surgir, com o incêndio a ser combatido por cerca de 500 bombeiros. O pináculo, La Fléche, acabaria por desmoronar e o incêndio só seria dado como extinto 12 horas depois do início.

No fim de semana passado, dois meses depois do incêndio, a catedral recebeu a primeira missa, com os sacerdotes a ter que usar capacetes por motivos de segurança. Na altura, o Ministério da Cultura francês confirmava que apenas 9% dos fundos prometidos tinham chegado à diocese, isto é, apenas 80 milhões de euros.

O presidente francês, Emmanuel Macron, prometeu reconstruir no prazo de cinco anos a catedral que atraía anualmente 14 milhões de turistas. Os responsáveis têm planos para abrir parcialmente o adro da catedral ao público no final do mês, para permitir que os turistas vejam mais de perto a fachada que não foi atingida.

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