Milhares de chineses aprendem português e espanhol

Crescente papel da China na América Latina tem feito explodir a procura pelas línguas ibéricas. É meio caminho andado para o sucesso no mercado de emprego, acreditam estudantes

Milhares de jovens chineses estão a aprender português e espanhol por causa da aposta do regime de Pequim na América Latina. O crescente papel da China na região tem feito explodir a procura pelas línguas ibéricas. É meio caminho andado para o sucesso no mercado de emprego, acreditam os estudantes.

De acordo com o jornal britânico The Guardian , a explosão dos mercados emergentes dos países BRIC - com a aceleração do consumo no Brasil, Rússia, Índia e China - fez de brasileiros e chineses fortes parceiros comerciais.

Há 20 anos, os laços entre os dois países eram praticamente inexistentes e poucos jovens estudavam a língua oficial de um país (e de um mercado) que tem cerca de 207 milhões de habitantes, num total mais de 220 milhões de falantes por todo o mundo.

Estes falantes de português atraíram Zhang Fangming, que começou a aprender a língua portuguesa para se tornar um alto diplomata chinês no Brasil. Ou Sun Jianglin, para quem um diploma de português significa conseguir um emprego, mas também poder conhecer de forma mais profunda a bossa nova que a estudante de 19 anos adora. "Bossa nova! Realmente gosto desta música, que é próxima do jazz!", conta ao Guardian.

"Há um ditado: 'aprender português vai ajudá-lo a encontrar um bom emprego, com bons salários!'", explica Sun, aluna do segundo ano da principal escola de línguas da China, a Universidade de Estudos Exteriores de Pequim, para assim justificar a sua opção.

Muitos dos diplomados em português da China acabam por ir para países africanos como Angola, Moçambique ou Cabo Verde, onde Pequim tem uma forte presença na economia. Mas, à medida que a pegada latino-americana de Pequim cresce, eles estão cada vez mais a olhar para oeste, relata o correspondente do jornal britânico na capital chinesa.

Segundo o Guardian, também se verificou uma explosão no estudo do espanhol - falado em quase todos os outros países da América Latina - com cerca de 20 000 estudantes chineses em 2016 a escolherem o idioma, contra apenas 500 em 1999, segundo dados oficiais.

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