Mel urbano em Paris é produzido no topo dos edifícios

Quem diria que grande parte dos prédios da Ilha de França tem no seu telhado várias colmeias? A agência de notícias France Press é um desses casos e já comercializa o néctar

A agência de notícias France Press já não é só uma empresa de comunicação social. Desde 2017 que é também uma produtora e vendedora de mel. Curiosamente, fruto de colmeias residentes no topo da sede da empresa, o Palace de la Bourse, em Paris.

Mas não é caso único. Segundo o períodico Le Telegramme, foi na década de 80 que Paris tomou uma decisão: colocar colmeias nos telhados das empresas. Em 2015, o último censo apontava para haver mais de 700 apiários urbanos na cidade da Luz.

Quem diria que o Musée d'Orsay, a Casa da Moeda de Paris, a Academia Francesa, o Grand Palais, a Assembleia Nacional, a Prefeitura de Paris, o lendário restaurante La Tour d´Argent e o hotel Pullman, assim como as elegantes lojas Guerlain e Louis Vuitton têm colmeias no telhado?

Mas o mel urbano mais famoso é o da Opera, cujas abelhas foram as primerias a ser instaladas em altitude, em 1982.

O mais interessante é que os apicultores chegaram à conclusão de que as abelhas são mais felizes num ambiente citadino, onde não são atacadas por pesticidas e onde encontram uma grande variedade de flores nos vasos das janelas e varandas parisienses, sem contar com os inumeráveis jardins da cidade, que se enchem de flores com a chegada da primavera.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?