Marés ciclónicas e vento a 150 km/h: o Florence chegou e já faz estragos

Furacão era esperado ao início da tarde desta sexta-feira, mas já atingiu a costa este dos EUA. Os efeitos já se fazem sentir na Carolina do Norte, um dos estados que deverá ser mais afetado

"Os primeiros efeitos da tempestade já chegaram mas temos muitos mais dias pela frente", garantiu Roy Cooper, o governador da Carolina do Norte. O furacão Florence devia atingir a costa daquele estado norte-americano ao meio dia (hora local, mais cinco horas em Lisboa), a noite de quinta-feira para hoje foi já de chuvas torrenciais, ventos e subida das águas, e o furacão acabou mesmo por atingir Wrightsville Beach, na Carolina do Norte, perto das 7:00 locais.

Mais de 400 mil casas estarão com cortes na energia, número que deverá crescer conforme o o movimento do furacão continua o seu movimento atingindo pelo caminho árvores, postes e cabos de alta tensão.

Apesar de ter perdido potencia, estando neste momento em categoria 1 (numa escala de 5), com ventos na ordem dos 150 km/h, as autoridades americanas temem que o Florence possa "matar muitas pessoas" e alertam para o risco "catastrófico" de inundações.

Mais de 1,7 milhões de pessoas já foram retiradas das suas casas em estados como a Carolina do Norte e Carolina do Sul, estando dez milhões em alerta também nos estados do Alabama, Tennessee, Kentucky e Virgínia Ocidental.

Roy Cooper afirmou ainda que a tempestade vai ser "um teste à nossa resistência, trabalho de equipa, senso comum e paciência".

Apesar de ter perdido potência, o Florence promete ser devastador. O furacão move-se lentamente e deverá permanecer vários dias sobre as zonas atingidas, provocando inundações em todo o estado da Carolina do Norte. Brandon Locklear, do National Weather Service, garantiu à Reuters que os próximos dois ou três dias vão trazer o equivalente a oito meses de chuva.

Marés ciclónicas com 3 metros? Vídeo mostra como é

Um vídeo do The Weather Channel mostra o perigo das marés ciclónicas que podem fazer as águas subir até três metros na Carolina do Norte e Carolina do Sul. Com a aproximação do Florence, a água já começou a subir e poderá ser potencialmente mortífera nos próximos dias, com o furacão a mover-se lentamente, podendo permanecer sobre os estados mais afetados durante algum tempo.

Segundo o National Hurricane Center, essas marés ciclónicas poderão andar entre os 60 centímetros e os três metros, números difíceis de traduzir numa imagem mental. Para isso, o The Weather Channel usou uma imagem em que se vê a água a subir em torno do meteorologista, ficando bem acima da sua cabeça enquanto se ouve o vento a soprar e se veem carros a flutuar à superfície.

O vídeo foi criado em parceria com a empresa de realidade virtual The Future Group.

"Este assustou-me"

O Florence deve chegar a terra na zona de ​​Cape Fear, mas se o pior ainda está para vir, durante a noite o rio Neuse, em New Bern, já subira três metros. Na baixa da cidade, 30 mil pessoas ficaram com as casas inundadas e 150 tiveram de ser socorridas.

Pelo 188 mil pessoas estavam sem eletricidade na Carolina do Norte e Carolina do Sul e as empresas do sector já alertaram que os cortes poderão afetar milhões nas próximas semanas.

Os meteorlogistas emitiram ainda alertas de tornados.

Apesar de todos os avisos, alguns residentes insistem em ficar em casa. Will Epperson, de 36 anos, disse à Reuters que tinha pensado ficar, mas acabou por mudar de ideias. "Não sou homem para fugir por causa de uma tempestade, mas este furacão assustou-me", reconheceu.

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Anselmo Borges

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