Ellis Ersson, estudante sueca multada por protestar contra a deportação

Ellis Ersson decidiu defender as suas crenças e ir contra a lei do país, impedindo um homem de ser deportado da Suécia. Hoje, foi multada por ter violado a lei.

Uma estudante ativista, Elin Ersson, conhecida pelo seu protesto, gravado em vídeo, contra a deportação de um requerente de asilo afegão recebeu agora uma multa no valor de 285 euros, por ter violado as leis de aviação suecas.

Em julho do ano passado, Ersson impediu a deportação de um afegão, no aeroporto de Gotemburgo, na Suécia. A bordo de um avião, a jovem recusou-se a sentar até que o homem fosse retirado do voo. Apesar de muitos dos passageiros serem contra a vontade da jovem, esta não desistiu até o comandante ordenar que o homem deveria abandonar o voo. A jovem gravou toda a situação e transmitiu-a no Facebook, obtendo milhões de visualizações.

Apesar dos aplausos recebidos no final, o protesto teve uma receção mista na Suécia, onde a imigração tem sido encarada de uma forma mais dura, como no resto da União Europeia. Dados mostram que o governo sueco tem reduzido o número de refugiados no país, tendo recebido apenas 21.500 pedidos de asilo no ano passado, número relativamente baixo, comparativamente aos 163.000 pedidos recebidos em 2015.

Ersson, de agora 22 anos, não quis comentar o assunto mas várias pessoas falaram sobre o caso e apresentaram opiniões contraditórias. Tomas Fridh, o advogado da jovem disse ao Guardian estar desapontado com a decisão do tribunal, visto a sua cliente ter agido "com interesses morais". Por outro lado, Tobias Billström, um dos principais membros do partido de centro-direita moderado liderou pedidos por sentenças mais duras contra ativistas a favor ao direito de asilo.

Abir Al-Sahlani, ex-membro do partido liberal central mostrou-se preocupada com estas medidas. "Esta é uma mudança dramática no debate sueco", disse. Al- Sahlani lançou uma campanha em 2011 contra a deportação de uma mulher ucraniana com 91 anos de idade.

Fatemeh Khavari, um escritor e refugiado afegão, que fundou um grupo de campanha contra a deportação comentou: "Embora não seja muito dinheiro, isto mostra o tipo de sociedade em que nos estamos a tornar. É correto salvar vidas mas é errado ser punido por tentar".

Ersson embarcou no avião, em 2018, para impedir a deportação de Ismail Khawari, de 26 anos, no entanto, este não estava no avião e foi deportado separadamente. Ao ver outro homem a ser expulso do seu país, Ersson decidiu protestar de qualquer das formas. "O meu ponto de partida é que ele - o deportado a bordo do avião - é humano e merece viver. Na Suécia, não temos pena de morte, mas a deportação para um país em guerra pode significar a morte. Se alguém cometeu um crime, pode ser presos e cumprir a sua pena na Suécia".

"Espero que as pessoas comecem a questionar a forma como tratam os refugiados" e "Temos de começar a olhar para as pessoas cujas vidas as nossas políticas estão a destruir" foram algumas das afirmações de Ellis depois do protesto, em entrevista ao The Guardian. Desde o protesto de 2018, ambos os afegãos foram expulsos do país.

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