Dois dias depois de anunciar que tinha poucos dias de vida, jornalista da BBC morreu

Na segunda-feira, Rachael Bland, de 40 anos, anunciava nas redes sociais que estava prestes a morrer. "Disseram-me que só tenho alguns dias [de vida]". Esta quarta-feira, a família e a BBC dão a notícia do seu desaparecimento

"Mãe de Freddie. Mulher de Steve. A nossa estimada colega Rachael Bland morreu". A notícia já esperada foi dada esta quarta-feira pela família e pela BBC Radio 5 Live, apenas dois dias depois de a jornalista britânica ter anunciado que estava a morrer. "Disseram-me que só tenho alguns dias [de vida]", escreveu, na segunda-feira, 3 de setembro, nas redes sociais.

A jornalista da BBC morreu esta manhã aos 40 anos, vítima de um cancro da mama, que lhe foi diagnosticado em novembro de 2016. No início desta semana, Bland comoveu milhares de pessoas ao escrever palavras de despedida nas redes sociais.

"Estamos todos de coração partido e o vazio que ela deixa na nossa pequena família nunca vai ser preenchido"

"Nas palavras do lendário Frank Sinatra: receio que o meu tempo chegou, meus amigos. E de repente. Disseram-me que só tenho alguns dias [de vida]. É muito surreal. Muito obrigada por todo o apoio que recebi ao longo do caminho", lê-se na publicação, nas suas contas de Twitter e Facebook, que comoveu milhares de pessoas.

"Vamos sentir muito a falta dela", refere a BBC Radio na nota que partilhou nas redes sociais, sublinhando ainda que Rachael Bland foi uma inspiração para muitos, referindo-se ao podcast "You, Me & The Big C", transmitido na estação, e ao blogue Big C. Little Me. Putting the Can in Cancer. Nas duas plataformas, a jornalista relatou a sua luta contra a doença.

Rachael Bland "morreu pacificamente esta manhã, ao lado da sua família mais próxima", diz o texto publicado no Facebook do blogue da jornalista. "Estamos todos de coração partido e o vazio que ela deixa na nossa pequena família nunca vai ser preenchido", lê-se no texto assinado por Steve, marido, e Freddie, o filho, de três anos, do casal.

Na mensagem, a família agradece o apoio que recebeu ao longo dos dois anos de luta da jornalista da BBC contra o cancro da mama e manifesta o sentimento de perda. "Vamos sentir muito a sua falta, mas não podemos estar mais orgulhosos do que ela conquistou nos seus 40 anos, e estamos genuinamente confortados pelo impacto que sabemos que ela teve em tantas vidas".

Além do blogue, a jornalista, que em 2001 começou a trabalhar na BBC, onde foi pivô, partilhava um projeto de podcast na BBC Radio 5 Live, com Deborah James, que luta contra um cancro do intestino, e Lauren Mahon, uma sobrevivente do cancro da mama. Nesta plataforma falava da doença e da batalha que iniciou quando recebeu o diagnóstico, há dois anos. Na segunda-feira, despediu-se das mulheres com quem partilhava o podcast e informou que o podcast iria continuar.

Escreveu as suas memórias para o filho de três anos

Este verão, disseram-lhe que o cancro era incurável e ao The Telegraph Bland estimou que teria menos de um ano de vida. "O meu marido, Steve, e eu ficamos arrasados, mas estamos quase atordoados por receber más notícias", afirmou ao jornal sobre o momento em que lhe disseram que era incurável.

Na impossibilidade de acompanhar o crescimento do filho, a jornalista contou que estava numa corrida contra o tempo para terminar as suas memórias para que estas possam acompanhar a vida de Freddie, de três anos.

"Eu tenho cinco capítulos e não cheguei ao momento em que estava grávida dele", referiu, na entrevista ao The Sun , no passado mês de julho.

"O último capítulo será uma mensagem final para Freddie, o que será difícil. Eu quero que ele saiba que ele pode ser e fazer o que quiser e eu ficarei orgulhosa dele", afirmou, na altura, Rachael Bland. Esta quarta-feira, morreu.

Atualizado às 12:23.

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