Companhias aéreas não querem transportar crianças separadas dos pais

Três transportadores norte-americanas pediram à Segurança Interna que não use os seus aviões para transportar crianças

American Ailrlines, United e Frontier são as três companhias aéreas que esta quarta-feira, dia 20, pediram a Donald Trump e à sua administração para deixar de usar os seus voos para transportar menores que foram separados dos pais do Texas e do Arizona para outros estados dos EUA.

"Não queremos estar associados a esta política e, pior, beneficiar dela", disse a American Airlines em comunicado. A companhia aérea garante não ter conhecimento que os aviões tenham sido usados para transportar crianças separadas dos pais. Mesmo assim, pediu que não fossem utilizados para esse fim. "Entra em conflito com a nossa missão de unir o mundo e não queremos fazer parte dela".

A posição das transportadoras é consequência da política de tolerância zero com a imigração ilegal que tem separado crianças dos pais, imigrantes que chegam à fronteira sul dos EUA, por decisão de Donald Trump.

Funcionários das companhias aéreas denunciaram ao jornal texano The Houston Chronicle que as crianças viajavam "aterradas, confundidas, tristes e exaustas". "Um menino estava a chorar com a boca fechada e lágrimas a caírem-lhe do rosto", relatou um assistente de bordo à Fox, que entretanto já fez saber que não aceitará voltar a trabalhar em voos em que isto se passe. "Senti-me como um colaborador desta política em que não acredito." O assunto tem vindo a ser debatido entre os membros da Association of Flight Attendantes (associação de assistentes de bordo).

O posicionamento das companhias aéreas foi recebido com desagrado pela administração do presidente dos EUA, lembrando os numerosos contratos do Estado com as transportadoras.

A Delta Airlines também repudiou esta prática, aplaudindo a decisão de Donald Trump de vir a pôr fim à separação de famílias.

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