Candidatura em Madrid abre crise no Podemos

O líder da formação de esquerda e um dos fundadores, Íñigo Errejón, estão em rota de colisão. Este quer integrar plataforma da autarca de Madrid Manuela Carmena pelo Podemos. Iglesias não aceita.

O verniz estalou no Podemos. A autarca de Madrid Manuela Carmena lançou a plataforma Más Madrid para as eleições, quer ao nível da comunidade de Madrid quer ao nível do município, em novembro. Agora apresentou uma carta conjunta com Ínigo Errejón, o dirigente que devia candidatar-se à presidência da Comunidade de Madrid com as cores do Podemos.

"Estamos a enviar esta carta aos cidadãos de Madrid, a fim de alargar a iniciativa Más Madrid também à Comunidade. Coordenar as propostas num programa conjunto e participativo, acompanhando as nossas primárias em fevereiro próximo e oferecendo um projeto integral, otimista e futuro. Este é um apelo à união das forças progressistas e a todos os cidadãos com ou sem filiação partidária, àqueles que ainda estão à espera de mudança e também àqueles que estão em desânimo ou dúvida", escreveram.

Erregón, em entrevista à LaSexta, disse que se apresenta como candidato do Podemos - tinha ganho as primárias com 98% - e que seguiu as diretivas do partido em "fazer tudo o que estiver ao alcance para recuperar a Comunidade de Madrid". Informou que deu conhecimento da decisão a Pablo Iglesias, o líder do partido. "As siglas estão ao serviço de unir muitas pessoas, não de confrontá-las e por isso vamos dar as mãos à experiência. Para mim [Carmena] é um modelo."

Pablo Iglesias não gostou. Interrompeu a licença de paternidade para anunciar que o Podemos vai apresentar candidatura própria e concorrente à de Más Madrid.

"Nunca imaginei ter de interromper a licença de paternidade por um motivo tão triste. Não imaginei que hoje, quando devíamos celebrar o quinto aniversário do Podemos, as coisas iriam estar assim", começou por dizer. Referindo-se ao facto de só ter sido avisado pouco antes: "Estou habituado a este tipo de manobras, mas reconheço que fiquei sentido e triste. Em momentos como este não é fácil ser secretário-geral."

De seguida desejou felicidades a Carmena e a Errejón "na construção do novo partido", mas anunciou a candidatura própria do Podemos em aliança com a Esquerda Unida. "Com todo o respeito, Erregón não é Carmena" e disse que a formação partidária está "acima da sua ambição pessoal".

Manuela Carmena encabeçou em 2015 a lista Ahora Madrid, formada pelo Podemos e Ganemos Madrid, uma iniciativa não partidária, e foi eleita presidente da Câmara.

"Hoje é um dia amargo, mas a história das lutas sociais demonstra que quem se levanta após um golpe é mais forte do que quem nunca foi golpeado", concluiu Iglesias.

O pingue-pongue continuou. Erregón, que entrou em rota de colisão com Iglesias no último congresso, quando apresentou uma lista alternativa ao secretário-geral, disse à Europa Press, através de fontes da sua equipa, que planeia manter-se no partido e concorrer na lista de Carmena.

Exclusivos