Butina, a primeira russa culpada por influenciar a política dos EUA

Acusada de agir como uma agente russa com o objetivo de se infiltrar no lobby das armas e influenciar a política dos EUA em relação a Moscovo, Maria Butina declarou-se culpada de um crime de conspiração no tribunal federal

A cidadã russa, de 30 anos, chegou a acordo com os procuradores, o que pode dar à Justiça norte-americana acesso a informações sobre a interferência de Moscovo na política americana. Em concreto, Butina pode fornecer dados sobre Paul Erickson, com quem manteve uma relação. O advogado Erickson, com ligações à NRA e à campanha de Donald Trump. Segundo os procuradores, foi o elo de ligação da russa com influentes republicanos e terá garantido uma linha muito privada de comunicação entre o Kremlin e os principais dirigentes do NRA

Maria Butina viajou para os EUA em 2015 e em 2016 obteve um visto de estudante para frequentar a Universidade Americana de Washington.

Reportava para Alexander Torshin, um vice-governador do banco central da Rússia que foi alvo de sanções do Departamento do Tesouro dos EUA em abril.

Butina foi detida e acusada pelos procuradores em julho de atuar como agente do governo russo e de conspirar para tomar medidas em nome de Moscovo. Ela tinha anteriormente declarado inocente antes de alterar a sua declaração durante a audiência de quinta-feira.

O seu advogado, Robert Driscoll, estimou que ela pode enfrentar até seis meses de prisão.

Putin diz que ninguém a conhece

Depois que ter sido acusada, a Rússia rotulou o caso contra Butina de "fabricado" e pediu a sua libertação. O presidente russo Vladimir Putin falou sobre Butina na terça-feira em Moscovo, um dia depois de saber que Butina iria declarar-se culpada.
"Ela arrisca 15 anos de prisão. Para quê? Perguntei a todos os chefes dos nossos serviços de serviços de informações sobre o que está a acontecer. Ninguém sabe nada sobre ela", disse Vladimir Putin.

Os procuradores do caso Butina não pertencem à equipa do procurador especial Robert Mueller, que está a investigar o papel da Rússia nas eleições americanas de 2016 e no eventual conluio da campanha de Trump com Moscovo.

Butina torna-se, com a sua confissão de culpa, na primeira cidadã russa a ser condenada por trabalhar para moldar a política dos EUA no período de tempo que abrange a campanha eleitoral de 2016.

Mueller apresentou acusações criminais contra uma série de indivíduos e entidades russas, mas esses processos estão pendentes.

A acusação contra Butina não mencionou de forma explícita a campanha de Trump. Butina era uma apoiante de Trump que, num encontro de conservadores em Las Vegas, fez uma pergunta sobre as relações americanas e russas e as sanções económicas impostas a Moscovo por Barack Obama. Trump respondeu que, como presidente, "se daria muito bem com Putin" e que as sanções não eram necessárias.

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