Bolsonaro mantém 28%, Haddad sobe três pontos em sondagem

Capitão na reserva viu aumentar a rejeição ao seu nome e agora perderia em todos os cenários de segunda volta. Ciro tem 11%, Alckmin 8% e Marina 5%.

Depois de crescer em três sondagens consecutivas do Instituto Ibope, Jair Bolsonaro, candidato de extrema-direita à presidência da República pelo PSL, manteve-se nos 28% na última, divulgada ao início da madrugada de terça-feira. O segundo classificado, Fernando Haddad, do PT, de centro-esquerda, além de subir três pontos - de 19 para 22 - ainda passa a vencer o líder nas simulações de segunda volta. Atrás dos dois favoritos a disputar essa segunda volta, seguem Ciro Gomes (PDT), de centro-esquerda, que se mantém com 11%, Geraldo Alckmin (PSDB), de centro-direita, que subiu de 7 para 8%, e a ambientalista Marina Silva (Rede), que caiu de 6% para 5%.

"A polarização Bolsonaro-Haddad mantém-se, Bolsonaro manteve-se no seu patamar e Haddad subiu três pontos, ou seja, um ponto acima da margem de erro, todos os demais candidatos ficaram estáveis, oscilando um ponto para mais ou para menos na margem de erro, com o terceiro lugar a ser disputado por Ciro e por Alckmin. Creio ser difícil alterar a tendência de polarização até dia 7", disse Paulo Baía, cientista político da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Eliane Cantanhêde, colunista do jornal O Estado de S. Paulo, diz que a sondagem destacou as três más notícias para Bolsonaro. "Apesar de consolidado no primeiro lugar, a tendência de crescimento parou, a rejeição subiu quatro pontos numa semana e ele volta a perder para todos os candidatos na segunda volta, à exceção de Marina, com quem empata."

Na tabela da rejeição, de facto, ninguém subiu mais do que o capitão na reserva, agora com 46% dos eleitores a dizer que não votam nele em nenhuma circunstância. O mais direto rival, Haddad, passou de 29 para 30. Com isso, na simulação de segunda volta, o candidato do PT passa a superar Bolsonaro, com score 43-37, ligeiramente acima da margem de erro de dois pontos da sondagem realizada ao longo do último fim de semana com 2506 eleitores de 178 municípios do Brasil.

Graças a esse número, na reação à sondagem, Alckmin demonstrou ainda acreditar numa surpresa. Para o campo do ex-governador de São Paulo, o voto útil de quem não quer ver o PT de volta ao Palácio do Planalto passa a ser em si, com melhores condições de bater Haddad numa segunda volta, e não em Bolsonaro. Para a campanha de Ciro Gomes, "as eleições são um filme e as sondagens apenas um retrato momentâneo".

Outra consequência da sondagem foi a subida do preço do dólar face ao real por causa do crescimento de Haddad, tido como nefasto para os mercados, e a estagnação de Bolsonaro, cujo guru financeiro é o ultraliberal Paulo Guedes. O empresário Abílio Diniz comentou, no entanto, que "seja qual for o resultado das urnas, nós, os empresários, não vamos embora para Miami, Lisboa ou Londres, seguiremos aqui a criar emprego e a gerar riqueza".

Eis os números da sondagem: Jair Bolsonaro, 28%; Fernando Haddad, 22%; Ciro Gomes, 11%; Geraldo Alckmin, 8%; Marina Silva, 5%; João Amoêdo (Novo), 3%; Álvaro Dias (Podemos), 2%, Henrique Meirelles (MDB), 2%; Guilherme Boulos (PSOL), 1%. Os demais quatro candidatos não pontuaram.

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