Beto O'Rourke, da última fila do Congresso a candidato a presidente

Antigo congressista do Texas confirmou que vai entrar na corrida às primárias democratas.

De congressista pouco conhecido a candidato a presidente dos Estados Unidos da América em apenas dois anos. Beto O'Rourke, de 46 anos, anunciou esta quinta-feira que vai concorrer às primárias democratas para depois desafiar o republicano Donald Trump nas eleições de 2020.

"Este é um momento decisivo para o nosso país e para cada um de nós", vincou o antigo congressista eleito pelo Estado do Texas, num vídeo onde confirmou os rumores que já circulavam sobre a sua corrida às primárias democratas. "Os desafios que enfrentamos, as crises inter-relacionadas na economia, na nossa democracia e no clima nunca foram maiores. E ou nos vão consumir, ou representarão uma enorme oportunidade para libertar o génio dos EUA".

Os desafios que enfrentamos, as crises inter-relacionadas na economia, na nossa democracia e no clima nunca foram maiores"

Esta entrada na disputa democrata de Beto - Robert de nascimento, e que apesar do diminutivo hispânico é descendente de irlandeses - é o culminar de dois anos de ascensão meteórica na política americana de um congressista pouco conhecido fora da sua El Passo natal até ao estrelato nacional. O'Rourke saltou para a ribalta também por ter afirmado no ano passado, na campanha para senador do Texas, que não achava uma falta de respeito os jogadores negros de futebol americano não se ajoelharem-se durante o hino, comparando-os aos ativistas que se bateram pelos direitos civis na década de 1960.

Acabou por não conseguir derrotar o republicano Ted Cruz, mas conseguiu uma angariação de fundos recorde e já foi objeto de um documentário da HBO, sendo visto como uma forte ameaça à presidência Trump.

Membro da Comissão das Forças Armadas e da Comissão dos Assuntos dos Veteranos da Câmara dos Representantes a partir de 2012, quando foi eleito para representar o 16.º distrito do Texas no Congresso, Beto O'Rourke destacou-se na defesa do acesso gratuito da população à saúde, em especial para os veteranos de guerra. Propõe a legalização da marijuana, é um crítico da alta finança, defende um aumento dos impostos para os mais ricos e tem-se oposto à política de imigração de Trump, sobretudo a separação de famílias, mas também à construção do muro na fronteira com o México, lembrando os direitos de propriedade dos donos das terras por onde a obra deve passar.

Agora, Beto garante que vai fazer "uma campanha pela positiva, empenhada em potenciar o que de melhor há em cada um, com o objetivo de unir um país muito divido".

Hillary Clinton já anunciou que está fora desta disputa

No último fim de semana, o senador Bernie Sanders, que disputou com Hillary Clinton as primárias do Partido Democrata em 2016, confirmou a sua intenção de voltar a concorrer, enquanto a antiga secretária de Estado de Barack Obama já anunciou que está fora desta disputa.

A corrida democrata conta com nomes como o das senadoras Kamala Harris, Elizabeth Warren e Kirsten Gillibrand, assim como o do ex-secretário da Habitação, Julian Castro, entre outros. Joe Biden, o ex-vice-presidente de Obama, também já foi apontado como potencial candidato.

Exclusivos

Premium

história

A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.