Ativistas de Hong Kong apelam a boicotar o filme Mulan

A protagonista do novo filme da Disney elogiou a polícia e criticou os manifestantes.

A atriz Liu Yifei é a mais recente celebridade a tomar partido no conflito de Hong Kong. A chinesa naturalizada norte-americana escreveu na rede social Weibo: "Eu apoio a polícia de Hong Kong. Podem todos atacar-me. Que vergonha para Hong Kong." Esta declaração de apoio à polícia, acusada do uso de força excessiva pela oposição pró-democrática, irritou os ativistas, que apelaram, no Twitter, para o boicote ao filme que Liu Yifei vai protagonizar.

A hashtag BoycottMulan rapidamente passou para o top em Hong Kong - onde se pode usar o Twitter, ao contrário da China - e também dos Estados Unidos. A atriz é a protagonista do remake de Mulan, o filme de animação da Walt Disney de 1998, agora com atores de carne e osso. A estreia do filme da realizadora Niki Caro está prevista para 2020.

Nos últimos dias, os protestos em Hong Kong -- que começaram contra uma proposta de lei que permitiria a extradição dos cidadãos para a China e que foi entretanto alargado a outras reivindicações pró-democráticas -- levaram outras figuras mediáticas a dar o apoio ao regime chinês. Foi o caso de Jackie Chan (nascido em Hong Kong, ao contrário de Liu), que numa entrevista à CCTV apelou para a paz e disse sentir orgulho de ser chinês. "A bandeira das cinco estrelas é respeitada em todo o lado", afirmou.

Também do lado de Pequim e do executivo de Hong Kong pronunciaram-se o ator Tony Leung Ka-fai (nascido na região administrativa especial) e o músico Daniel Chan. Do outro lado da barricada está a cantora Denise Ho e o ator sul-coreano Kim Eui-sung.

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Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.