Novo coronavírus "pôs os EUA de joelhos", diz especialista

O imunologista Anthony Fauci, conselheiro da Casa Branca, disse no congresso que as próximas semanas vão ser "cruciais" para conter os surtos de covid-19. Diretor do Centro norte-americano de Controlo de Doenças diz que a doença "pôs os EUA de joelhos".

Califórnia, Florida, Texas e Arizona são alguns dos estados que registam um aumento de novos casos de infeção pelo novo coronavírus nos EUA, uma situação que está a preocupar as autoridades de saúde norte-americanas.

Durante a audição de terça-feira no congresso, o conselheiro da Casa Branca, o epidemiologista Anthony Fauci falou mesmo em "onda perturbadora de infeções".

Muitos estados norte-americanos levantaram praticamente todas as medidas restritivas, mas cerca de 20, principalmente no sul e no oeste, registaram picos no número de infetados. "As próximas duas semanas serão cruciais" para responder a estes surtos, alertou Fauci durante a audição no congresso.

Sem se referir diretamente ao comício do presidente dos EUA, Donald Trump, em Tulsa, o epidemiologista insistiu para que as pessoas evitem multidões. Numa "manifestação ou comício" deve-se usar uma máscara, acrescentou Fauci, revelando que não falava com o presidente Trump há "cerca de duas semanas e meia".

Novo vírus "pôs a nação de joelhos", diz especialista

No Congresso, Fauci foi ouvido juntamente com outros três responsáveis pela resposta à pandemia de covid-19 nos EUA. Os especialistas consideraram que os desafios colocados pela crise sanitária são "históricos" e "significativos" e que a situação de emergência "provavelmente" vai manter-se.

"Ainda estamos na primeira onda" da pandemia, disse Fauci, acrescentando que "certamente haverá infeções pelo novo coronavírus neste outono, porque o vírus não vai desaparecer".

Já o diretor do Centro norte-americano de Controlo de Doenças, Robert Redfield, não tem dúvidas: "Demos o nosso melhor no combate ao vírus. E a realidade é que pôs a nação de joelhos".

Sobre os progressos na investigação científica com vista a obter uma vacina contra a covid-19, o epidemiologista afirmou que estão "cautelosamente otimistas".

Fauci reiterou, no entanto, que a vacina só deverá estar disponível "até o final do ano" ou no início de 2021.

Perante o congresso, o especialista afirmou ainda que o presidente Donald Trump nunca lhe pediu para se reduzisse o número de testes de despiste à covid-19. "É o contrário. Vamos fazer mais testes, não menos", assegurou.

De acordo com os dados mais recentes da Universidade John Hopkins, os EUA registaram mais 842 mortes por covid-19, atingindo os 121.176 óbitos desde o início da pandemia.

O país contabiliza agora mais de 2,34 milhões de casos confirmados, com 32.405 novas infeções em apenas um dia, segundo o balanço realizado às 20:00, hora local (01:00 de quarta-feira em Lisboa), pela agência de notícias espanhola Efe.

O número de novos casos voltou a ficar acima dos 30 mil, devido ao aumento do contágio em estados como a Califórnia, Florida, Texas e Arizona, que, juntos, representam quase metade das infeções do país.

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