"Foi um erro." CDC volta atrás e retira texto sobre transmissão aérea do vírus

A possibilidade de o novo coronavírus poder ser transmitido por via aérea ainda carece de provas científicas, justifica o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA, que retirou essa atualização do seu site.

Apenas três dias depois de ter divulgado que a principal fonte de contágio de covid-19 é a inalação das gotículas que uma pessoa infetada produz a tossir, espirrar ou simplesmente a falar, o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) voltou atrás e disse ter cometido um erro, retirando essa informação do seu site.

A possibilidade de o novo coronavírus poder ser transmitido por via aérea fazia parte da terceira grande atualização das informações ou diretrizes do CDC sobre a covid-19, publicadas desde maio.

Jay Butler, vice-diretor do CDC, disse que a atualização de sexta-feira foi publicada por engano.

"Infelizmente, o rascunho de uma revisão foi publicado sem qualquer revisão técnica", disse o responsável, citado pelo Washington Post.

"Estamos a regressar à versão anterior e a rever todo processo", disse Butler. "Foi uma falha", reforçou.

Durante vários meses, recorda o jornal, cientistas e especialistas em saúde pública alertaram sobre as cada vez mais numerosas provas de que o novo coronavírus é transportado pelo ar e transmitido através de pequenas gotículas chamadas aerossóis que permanecem no ar por muito mais tempo do que as bolhas maiores provenientes da tosse ou de espirros.

Os especialistas que analisaram a publicação de sexta-feira do CDC disseram que a mudança da linguagem teria o poder de mudar a política e o comportamento público. Alguns sugeriram que essa informação deveria levar a um repensar das políticas públicas, especialmente numa altura em que muitos países regressam às aulas presenciais.

OMS reconheceu em julho transmissão aérea do vírus

Desde o início da pandemia, os especialistas têm vindo a analisar as formas de transmissão do vírus e a melhor forma de travar o contágio.

A distância recomendada de dois metros tem sido veiculada como a mais segura para evitar a transmissão do novo coronavírus, mas há muito tempo que vários cientistas têm afirmado que o vírus pode alcançar distâncias maiores, especialmente em sítios fechados e em locais onde as pessoas falam mais alto ou cantam.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu, em julho, a ameaça dos aerossóis na transmissão do novo coronavírus, depois de centenas de cientistas terem instado o organismo internacional a admitir a disseminação aérea do vírus tendo em conta as evidências científicas.

Não está claro porque razão o CDC finalmente admitiu essa possibilidade, mas agora o centro diz que foi um engano e que não era suposto surgir no texto atualizado.

Em maio, o CDC atualizou uma página de informações que sugeria que o coronavírus não se espalhava facilmente a partir de superfícies contaminadas. Editou depois essa revisão após a pressão dos media que lembravam que essa reformulação não estava assente em provas científicas.

Na semana passada, o CDC reverteu as diretrizes de recomendação de testagem. Recomenda novamente que qualquer pessoa, independentemente dos sintomas, que esteve em contacto próximo com uma pessoa infetada seja testada. A Casa Branca tinha pedido em agosto exatamente o contrário: que as pessoas assintomáticas não fossem testadas.

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