Família Temer muda de palácio duas vezes em semana e meia

Presidente trocou Jaburu, morada dos vice-presidentes, pela Alvorada, residência do chefe do Estado, no fim de fevereiro. Mas após obras de oito mil euros, decidiu regressar à base.

"O Jaburu é mais aconchegante, enquanto o Alvorada é demasiado grande e torna tudo tão distante que o presidente mal conseguia ver o Michelzinho", disseram à imprensa assessores do chefe do Estado do Brasil Michel Temer ao justificar as suas duas mudanças de residência oficial, com custos de 24.015,68 reais para os cofres públicos (cerca de oito mil euros), no espaço de semana e meia. A notícia motivou críticas da oposição e da imprensa e uma onda de comentários negativos na opinião pública.

A família Temer decidiu trocar o Palácio do Jaburu, morada dos vice-presidentes, pelo Palácio da Alvorada, residência oficial do chefe de estado brasileiro, no dia 17 de fevereiro, efetuando pelo meio alterações ao local. Nos feriados de Carnaval, no entanto, mudou de ideias e voltou a morar no Jaburu, a 650 metros do Alvorada.

Antes de efetuar a mudança do Jaburu para o Alvorada, o casal Michel e Marcela Temer mandara colocar redes de proteção nos quartos da residência oficial da presidência por causa do filho Michelzinho, de sete anos. A primeira-dama quis ainda mudar a decoração, nomeadamente obras de arte e de tapeçaria de parte dos salões, além de trocar os sofás, em tom escuro, por outros, mais claros. Retirou ainda uma mesa de jacarandá do século XIX e três cadeiras do século XVIII, que serviam como local de refeição de Dilma Rousseff, a antecessora de Temer e inquilina do palácio até 6 de setembro do ano passado.

No entanto, enquanto a família esteve a descansar durante o Carnaval na Base Naval de Aratu, na Bahia, funcionários da presidência receberam instruções para levar tudo novamente para o Jaburu. O presidente vai voltar a morar lá com a mulher, o filho, a sogra, Norma, e o cão, Thor.

O ex-curador do Palácio do Alvorada, ouvido pelo jornal O Estado de S. Paulo, considerou "uma barbaridade deplorável" as mudanças efetuadas na Alvorada. Segundo Eduardo Carvalho, "o palácio é um símbolo nacional que não pode ser desfigurado como foi". E deu o exemplo da família Obama, que mesmo tendo filhas pequenas não mudou a fachada da Casa Branca colocando redes de proteção.

A presidência lançou nota, entretanto, a dizer que "o Palácio da Alvorada não passou por reformas para receber a família do presidente da República Michel Temer" mas sim "serviços de manutenção e reparos".

A Alvorada, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer e primeiro edifício inaugurado na capital federal Brasília, é composto por um auditório para 30 pessoas, salão de jogos, salões de reunião e uma parte residencial, com quatro suítes e salas íntimas. Além dele, o presidente pode dispor da casa de campo oficial Granja do Torto, ainda em Brasília.

O Jaburu, onde Temer vive desde 2011 quando foi eleito pela primeira vez vice-presidente, é um edifício também projetado por Niemeyer e inaugurado 17 anos após a fundação de Brasília. Segundo o site oficial da presidência, "os seus 4823 metros quadrados privilegiam mais a área externa, com generosas varandas, do que as áreas comuns, como os salões, cujas dimensões se aproximam das de outras residências e não dos palácios tradicionais". E conclui: "A principal característica do palácio e o que o diferencia, fundamentalmente, de outros, como a Alvorada, é o fato de ser uma construção exclusivamente destinada a moradia".

Enquanto viver no Jaburu, Temer continuará a utilizar a Alvorada mas apenas para reuniões ou outros atos oficiais. O seu local de trabalho oficial, no entanto, é o Palácio do Planalto, na Praça dos Três Poderes, lado a lado com o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal.

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