Edward Snowden pede asilo a Emmanuel Macron

O antigo funcionário da Agência de Segurança Nacional (NSA) norte-americana vive na Rússia depois de ter publicado documentos sobre o programa de vigilância dos EUA.

O analista de sistemas informáticos Edward Snowden, que publicou documentos classificados sobre o programa de vigilância dos Estados Unidos e foi acusado de espionagem, pediu ao presidente francês, Emmanuel Macron, que lhe conceda asilo.

Snowden, que agora vive na Rússia para evitar ser processado nos Estados Unidos, sublinhou, numa entrevista dada esta segunda-feira à rádio France Inter que "proteger quem faz denúncias não é um ato hostil" e disse que se considerava no direito de obter proteção de França.

O analista já tinha pedido asilo a França, solicitação feita em 2013 ao antecessor de Macron, François Hollande, mas sem sucesso.

A presidência francesa ainda não comentou as declarações feitas na rádio.

Snowden lança autobiografia na terça-feira

No fim de semana, em entrevista ao El País, Snowden admitiu que os países democráticos europeus não o querem receber, como já fizeram no passado com outros norte-americanos. "No meu caso, não tornei público nada que ponha em perigo a vida de pessoas. Acho que os governos europeus têm medo de mim",afirmou, justificando que a pressão norte-americana é imediata quando é falada a possibilidade de algum estado lhe dar asilo político.

O lançamento das memórias de Edward Snowden será feito na terça-feira simultaneamente em 20 países, segundo o seu editor francês.

A obra original intitulada Permanent record, totalmente escrita por Snowden, será publicada pela Metropolitan books (Macmillan) nos Estados Unidos.

Em França, o livro vai chamar-se Mémoire Vive e será publicado pela Editions du Seuil.

Em Portugal, a publicação é garantida pela Editorial Planeta, com o título "Vigilância Massiva, Registo Permanente". Nela, o americano de 36 anos descreve como se tornou no homem que é, sem pátria. Anos atrás, era um patriota apaixonado por computadores que, após os ataques de 11 de setembro, ingressou nos serviços secretos, cheio de entusiasmo e ideias de vingança. Nos anos seguintes, Snowden participou decisivamente da digitalização do trabalho da CIA e da NSA. E, com o tempo, começou a ter cada vez mais dúvidas de que o programa universal de espionagem estava ao serviço do bem. Resolveu contar tudo ao mundo. Todo esse percurso até ao asilo na Rússia são abordados no livro.

Edward Snowden revelou, em 2013, a existência de um sistema de vigilância mundial de comunicações e de internet, tendo sido acusado pelos Estados Unidos de espionagem e apropriação de segredos do Estado.

O realizador norte-americano Oliver Stone dirigiu um filme em 2016 sobre a sua vida, com Joseph Gordon-Levitt no papel de protagonista, e Snowden também surge em "Citizenfour", o premiado documentário de Laura Poitras.

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