Detido artista russo que divulgou vídeo sexual de candidato à Câmara de Paris

O artista russo Piotr Pavlensky, que reivindica a divulgação do vídeo de teor sexual que levou Benjamin Griveaux a renunciar à candidatura a presidente da Câmara de Paris, foi detido por outro crime, segundo as autoridades.

Um dia depois de ter confirmado à AFP ter sido o autor da publicação de um vídeo que levou à desistência do candidato do partido de Macron à Câmara de Paris, o artista russo Piotr Pavlensky foi detido pela polícia.

Griveaux, candidato às eleições autárquicas em Paris pelo movimento A República em Marcha (LREM), do presidente francês Emmanuel Macron, abandonou a corrida na sexta-feira depois da divulgação de um vídeo com imagens de conteúdo sexual. Pavlensky justificou a sua ação como uma forma de combater a "hipocrisia política".

O Ministério Público francês anunciou a detenção do artista russo no âmbito de uma investigação em que é acusado de violência voluntária com uma arma, durante uma festa na capital francesa, na véspera de Ano Novo, que registou três feridos.

A polícia esclareceu que a detenção nada tem a ver com a divulgação das imagens de Benjamin Griveaux, já que o candidato não apresentou qualquer queixa até agora, embora o seu advogado tenha dito que o iria fazer.

A divulgação online das imagens de conteúdo sexual do ex-candidato e ex-porta-voz do governo de Macron sem o seu consentimento pode, no entanto, conduzir a um processo judicial com uma pena de até dois anos de prisão e multa de 60.000 euros.

Após ter ganho notoriedade em 2013 por ter pregado os testículos no chão da Praça Vermelha de Moscovo, em ação de protesto contra a "indiferença política da sociedade russa", Pavlensky recebeu asilo político em França.

"Hipocrisia nojenta"

Pavlensky disse que as imagens divulgadas da masturbação de Griveaux foram a primeira contribuição para um site de "pornografia política" criado para expor o que ele considerava um comportamento desonesto dos políticos.

O cidadão russo disse que o problema de Griveaux "é uma questão de princípio". "É como se alguém que faz campanha contra a violência contra as mulheres batesse na sua mulher todas as noites." Isto porque Griveaux iniciou a "campanha com uma mentira monstruosa, uma hipocrisia nojenta", ao "usar a imagem da família, da mulher e dos filhos para criar uma imagem política e se apresentar como um ícone para todos os pais e maridos de Paris".

Ao Libération disse ter recebido as imagens de uma "fonte" que tinha uma relação consensual com Griveaux, tendo recusado a divulgar mais pormenores sobre as origens do vídeo.

Considerado um dos aliados políticos mais próximos de Macron, Benjamin Griveaux foi nomeado porta-voz do governo após a eleição do presidente em maio de 2017, além de ter sido secretário de Estado das Finanças e Economia.

Pouco depois de ter sido nomeado candidato ao LREM nas eleições para presidente da Câmara de Paris, a sua imagem sofreu um golpe quando foi tornada pública uma gravação na qual insulta vários colegas.

Os rivais políticos de Griveaux mostraram solidariedade. Anne Hidalgo, a autarca socialista e favorita à vitória nas eleições da segunda quinzena de março, apelou para "o respeito à vida privada e o respeito das pessoas".

"Recusemos esta torrente de voyeurismo na vida pública francesa", disse por sua vez Jean-Luc Mélenchon, o líder do partido de esquerda França Insubmissa, que classificou a publicação de "imagens íntimas [destinadas] a destruir um rival" como "odiosas". Aos seus partidários Mélenchon pediu para "não participarem num ajuste de contas".

O candidato dissidente do LREM Cédric Villani chamou o ataque de "indigno" e uma "séria ameaça à democracia".

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