Coreia do Sul volta a adotar medidas para conter novo surto do covid-19

Surgimento de novas infeções de covid-19 levam a Coreia do Sul a dar alguns passos atrás e a impor novamente restrições: museus, parques e galerias de arte vão fechar outra vez.

A Coreia do Sul voltou a implementar medidas rigorosas de contenção do vírus na capital, Seul, após o maior aumento de novas infeções por coronavírus em quase dois meses. As restrições tinham sido levantadas em todo o país a 6 de maio. No entanto, na quinta-feira, os Centros Coreanos para Controlo e Prevenção de Doenças (KCDC) registaram 79 novas infeções, sendo 67 delas na região de Seul - este é o número mais elevado de novas infeções em 53 dias.

Desta forma, museus, parques e galerias de arte vão fechar novamente a partir de sexta-feira por duas semanas, anunciou o ministro da Saúde, Park Neung-hoo. As empresas estão a ser pressionadas para reintroduzir horários flexíveis de trabalho e os moradores de Seul também foram aconselhados a evitar reuniões sociais ou ir a lugares lotados, incluindo restaurantes e bares. As instalações religiosas foram aconselhadas a serem mais vigilantes com as medidas de quarentena.

O novo bloqueio entrará em vigor na área metropolitana da capital, que alberga metade dos 51 milhões de habitantes da Coreia do Sul. E permanecerá em vigor até 14 de junho.

"As próximas duas semanas são cruciais para evitar a propagação da infeção na região metropolitana", disse Park, acrescentando: "Teremos que voltar ao distanciamento social se falharmos". O ministro pediu aos moradores da capital e arredores para evitar reuniões desnecessárias e instou as empresas a permitir que os funcionários doentes tirassem uma folga do trabalho.

As autoridades estão a ter dificuldade em rastear as rotas de transmissão de novas infeções e por isso pedem a todas as pessoas que se mantenham vigilantes.

O recente aumento nas infeções sublinhou os riscos que surgem com o relaxamento das regras de distanciamento social, à medida que os países procuram dar vida às economias em dificuldades. Mais de 250 novas infeções foram detetadas em clubes e bares no distrito de Itaewon, em Seul, no início de maio, enquanto o último foco está vinculado a um centro de distribuição em Bucheon, perto de Seul, propriedade da empresa de comércio eletrónico Coupang.

As autoridades de saúde locais testaram cerca de 3 500 dos 4 mil funcionários do centro, informou a agência de notícias Yonhap, com 69 casos confirmados até agora. A empresa falhou em impor medidas preventivas, como exigir que os funcionários usem máscaras e mantenham uma distância de cerca de dois metros. A imprensa cita testemunhos que dão conta que alguns funcionários foram incentivados a continuar a trabalhar mesmo depois de começarem a ter sintomas do vírus, incluindo uma mulher de 40 anos que é considerada a primeira pessoa no centro a contrair o vírus.

O centro de Coupang foi encerrado na segunda-feira. "Temos realizados fortes medidas de desinfeção nas instalações", informa um comunicado da empresa. "Também estamos a desinfetar as mercadorias encomendadas pelos clientes antes de as entregar."

O recente aumento de casos está afetar ainda a reabertura das escolas: mais de 500 escolas atrasaram o regresso às aulas devido a preocupações com vírus, informou o Ministério da Educação nesta semana.

A Coreia do Sul, que relatou seu primeiro caso de covid-19 a 20 de janeiro, recebeu elogios pela sua resposta à pandemia: uma combinação de testes e rastreamento rígido, em vez de adotar um bloqueio, como vários países europeus fizeram. Até agora, a Coreia do Sul registou um total de 11 344 casos e 269 mortes por covid-19.

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