15 anos de prisão para jovem que pôs bomba no metro de Londres

Smith confessou o crime, afirmando que a sua intenção era pregar uma partida.

Um britânico de 20 anos foi condenado hoje a 15 anos de prisão por ter colocado uma bomba, rudimentar mas operacional, no metro de Londres, em outubro passado, engenho que a polícia conseguiu desarmadilhar no último momento.

A condenação ocorre quatro dias depois do atentado de 22 de maio em Manchester (noroeste de Inglaterra), reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico, que fez 22 mortos, além do atacante, e 75 feridos.

O juiz Richard Marks do tribunal londrino de Old Bailey referiu-se ao atentado ao pronunciar a sentença, aludindo ao "clima de medo que se vive devido ao uso de bombas aqui e em todo o mundo".

O jovem, Damon Smith, que não tem qualquer ligação a meios extremistas, construiu o engenho com um despertador que comprou por 2 libras (2,30 euros) num supermercado, depois de ter lido na internet um texto publicado pela rede terrorista Al-Qaida com instruções para o fabrico de engenhos explosivos artesanais.

Smith "não tem nada de 'jihadista' cheio de ódio", afirmou o seu advogado, que apresentou um relatório psiquiátrico segundo o qual o jovem sofre de uma forma de autismo.

Smith confessou o crime, afirmando que a sua intenção era pregar uma partida.

Em maio, o júri considerou-o culpado de posse de substância explosiva, seguindo a recomendação do Ministério Público, que qualificou o ocorrido de "ato incrivelmente perigosos de consequências inimagináveis".

A 20 de outubro de 2016, Damon Smith, então com 19 anos, colocou o engenho explosivo que construiu dentro de uma mochila e deixou-a numa carruagem do metro de Londres. A bomba estava programada para explodir minutos mais tarde.

Quando saiu da composição, passageiros repararam na mochila e alertaram o condutor que, pensando tratar-se de um objeto perdido, a levou para a cabine e retomou o trajeto.

Quando estava a chegar à estação de Greenwich, no leste de Londres, reparou em fios que saíam da mochila e deu o alerta.

Especialistas disseram em tribunal que, se o engenho tivesse explodido, a explosão teria ocorrido antes de a estação de Greenwich estar evacuada.

Buscas feitas na residência do jovem permitiram concluir que tem um interesse acentuado por armas e explosivos, mas nenhuma intenção terrorista. Num computador os investigadores encontraram uma fotografia em que Damon Smith posa com armas e na qual escreveu: "2016 -- Combatendo o Estado Islâmico".

O juiz afirmou na leitura da sentença que, embora Smith não tenha motivações terroristas, é um infrator perigoso que já antes tinha construído outros engenhos.

"Influencia-me a sua história de interesse por armas e bombas, bem como o seu estado, que faz com que lhe seja difícil compreender e avaliar plenamente as potenciais consequências muito graves das suas ações", disse.

Damon Smith, que vai cumprir a pena de 15 anos num estabelecimento penitenciário para jovens, foi ainda condenado a uma pena suspensa de cinco anos.

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