Coletes amarelos sem fôlego a uma semana do fim do diálogo nacional de Macron

Ocupação deste fim de semana não resultou, mas movimento espera juntar "a França toda em Paris" no próximo sábado, para um "ultimato" ao governo.

Era suposto ter sido o principal evento de protesto deste fim de semana dos coletes amarelos. A ocupação pacífica do Champs de Mars, aos pés da Torre Eiffel, devia ter começado na sexta-feira e acabar só no domingo. Mas, quando cerca de 30 manifestantes tentaram instalar algumas estruturas no local, na tarde de sexta-feira, foram afastados pelas forças de segurança. Longe estão as grandes marchas que paravam Paris. Um movimento sem liderança e com reivindicações díspares tem para a semana o seu grande teste de fogo, com o final do diálogo nacional promovido pelo presidente francês, Emmanuel Macron.

O "ato XVII" do protesto que começou em novembro levou este sábado, segundo o Ministério do Interior francês, sete mil pessoas às ruas em todo o país, incluindo 2800 em Paris. "Preparamo-nos para o próximo sábado, vai ser em grande", disse à agência francesa AFP Christian, de 67 anos, perto dos Campos Elíseos. O "ato XVIII" está previsto para um dia depois do fim do debate de Macron, com o movimento à espera de juntar "a França toda em Paris" para um "ultimato" ao governo.

A 17 de novembro, quase 300 mil pessoas participaram nos protestos em toda a França, mas desde então a participação tem vindo a cair. No último sábado, o Ministério do Interior estimou em 39 300 os manifestantes em todo o país (quatro mil na capital). Números oficiais que são sempre contestados pelos "coletes amarelos" -- que ganham o nome por causa dos coletes refletores que usam.

As manifestações que começaram numa reação contra o plano de Macron de aumentar as taxas sobre os combustíveis -- parte da sua tentativa de apostar em modelos energéticos mais limpos -- evoluíram para algo mais amplo, contra as políticas do governo, que consideram estar afastado dos problemas que afetam as famílias mais pobres.

Macron cedeu aos manifestantes, recuando no aumento dos impostos sobre os combustíveis e orçamentando dez mil milhões de euros extra para ajudar as famílias dos trabalhadores mais pobres, tendo também procurado acalmar a situação com uma série de encontros com os eleitores em toda a França -- um grande diálogo nacional destinado a encontrar soluções políticas para a contestação social que está previsto para acabar no dia 15, coincidindo com um novo apelo dos "coletes amarelos" para os franceses voltarem em força às ruas.

Sem um líder claro do movimento, os protestos chegaram a ser violentos, com confrontos entre manifestantes e forças de segurança, mas têm sido pacíficas nas últimas semanas. Esta semana, manifestantes em defesa do clima juntaram-se aos protestos em Paris, assim como grupos de mulheres em defesa da igualdade dos direitos.

Uma sondagem Ifop (feita online a 7 e 8 de março pelo site de notícias francês Atlantico) revelou que cerca de 54% dos franceses apoiam ou simpatizam com o movimento "coletes amarelos". Um aumento de quatro pontos percentuais desde meados de fevereiro, mas muito abaixo dos 72% máximos que chegaram a ser registados.

A popularidade de Macron também aumentou nas últimas semanas. Uma sondagem Ipsos divulgada a 6 de março, revelou um aumento de oito pontos percentuais desde dezembro de 2018, para os 28%.

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