Chegou de Uber à escola. Depois do tiroteio, foi a um McDonald's

Um bloguer avisou o FBI de um possível atentado numa escola e apontou um nome: Nikolas Cruz

À medida que vão surgindo mais informações sobre a vida do atirador que assassinou 17 pessoas - entre alunos e professores - numa escola da Florida, no passado dia 14 de fevereiro, a teoria de que o massacre poderia ter sido evitado vai ganhando força. Entretanto, as autoridades revelaram pormenores do dia do ataque: Nikolas Cruz chegou de Uber ao liceu e depois do tiroteio foi comprar uma bebida e vagueou sem rumo, até ser detido.

Nikolas Cruz chegou ao liceu Marjory Stoneman Douglas, em Parkland, de Uber, e entrou no interior do edifício às 14h21. Dentro da mochila trazia um fuzil. Depois, ativou o alarme de incêndio, o que obrigou alunos e professores a encaminharem-se para o pátio exterior, acreditando que se tratava de um exercício. Alguns estudantes disseram que estranharam o alarme, uma vez que uma simulação de incêndio já tinha acontecido durante a parte da manhã.

Cruz comprou a arma de fogo usada no tiroteio, o fuzil AR-15, legalmente no estado da Florida há quase um ano, de acordo com Peter J. Forcelli, agente especial do Bureau of Alcohol, Tobacco, Armas de fogo e explosivos de Miami.

Depois de ter invadido a escola e de ter atirado em alunos e professores em cada um dos três andares do edifício, Cruz deixou cair o fuzil e a mochila no terceiro andar antes de sair do prédio e se misturar com a multidão de alunos que entretanto era evacuada.

De seguida, o atirador comprou uma bebida num restaurante de fast food e sentou-se num McDonald's por alguns minutos. Os investigadores identificaram o atirador através dos vídeos de segurança da escola e, cerca de 40 minutos depois, um oficial de Coral Springs deteve o homicida enquanto este caminhava ao longo de uma estrada.

Se o ataque poderia ter sido evitado? As últimas notícias tornam provável esse cenário. A informação é avançada pela CNN. Segundo a estação de televisão norte-americana, um bloguer revelou que terá avisado o FBI, em setembro, sobre uma possível ameaça de tiroteio à escola onde aconteceu o massacre de 14 de fevereiro, o mais sangrento dos últimos cinco anos. A denúncia identificava um suspeito que usava o mesmo nome do atirador. Um agente do FBI confirmou a denúncia, mas nada foi feito para a verificar e não houve nenhuma informação transmitida à divisão da Florida - a denúncia foi recebida no Mississipi.

Um ex-vizinho da família de Nikolas Cruz contou também que viu o jovem a apontar uma arma a várias casas e que era seu costume fazer tiro ao alvo na vizinhança. Um vídeo, partilhado com a CNN, mostra Cruz num pátio traseiro, usando apenas boxers e um boné vermelho, brandindo uma pistola.

O perfil digital do suspeito da Florida é igualmente considerado "muito, muito perturbador". Um dia depois do tiroteio, soube-se que Nikolas Cruz poderá ter tido ligações a grupos supremacistas brancos e testemunhas disseram que o ouviram dizer que iria balear pessoas com o seu fuzil AR-15: polícias e manifestantes antifascistas seriam alvos.

Assim que se soube a identidade do atirador - e o nome - as buscas e perfis nas redes sociais levaram até vídeos no YouTube onde Nikolas Cruz , ou alguém a usar o seu nome, fazia comentários ameaçadores, como: "Eu mato pessoas com o meu AR-15". "Eu quero morrer a lutar e a matar toneladas de pessoas". "Vou matar polícias um dia, eles vão atrás das pessoas boas".

Numa conta de Instagram com o nome @Nikolascruzmakarov, a sua foto de perfil mostra-o com uma máscara no rosto e um boné com a frase "Make America Great Again". Outros posts incluem uma foto de um fuzil, uma coleção de armas de fogo em cima de uma cama e uma foto tirada através de uma mira em direção a uma janela.

Além das 17 pessoas que morreram no tiroteio, outras 14 ficaram feridas.

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