Governo dos EUA censura termos relacionados com as alterações climáticas

E-mails do Departamento da Agricultura revelam que há uma lista de termos relacionados com alterações climáticas que deviam ser evitados pelos funcionários

Os funcionários do Departamento de Agricultura dos EUA têm instruções para evitar o uso do termo alterações climáticas, substituindo-o por "clima extremo".Uma série de emails, obtidos pelo The Guardian, entre o pessoal do Serviço de Conservação de Recursos Naturais revelam que a administração Trump teve um impacto tremendo na alteração dos termos utilizados por funcionários federais referente às alterações climáticas.

Uma missiva da diretora de saúde do solo, Bianca Moebius-Clune, revelou uma lista de termos que devem ser evitados pelos funcionários e aqueles pelos quais devem ser substituídos. "Alteração climática" está na categoria "evitar", devendo ser substituído por "extremos climáticos". Os funcionários devem ainda utilizar o termo "resiliência aos extremos climáticos" a favor de "adaptação às mudanças climáticas".

A nomenclatura "reduzir gases de efeito de estufa" deve também ser substituída por "acumulação de matéria orgânica no solo, aumentar a eficácia do uso de nutrientes", enquanto isso, "fixação de carbono" é também descartado para dar lugar a "acumulação de matéria orgânica no solo"

No e-mail em questão, datado a 16 de fevereiro, Bianca refere que a nova linguagem passa a ser atribuída à equipa, sugerindo que esta seja transmitida nos e-mails. "Não vamos mudar a comunicação, apenas a forma como falamos sobre" estes assuntos.

Em contraste com os novos termos relativos às alterações climáticas, Bianca escreveu ainda que as referências ao crescimento económico, as oportunidades emergentes de negócio nas zonas rurais, e a estética melhorada devem ser toleradas se não mesmo apreciadas por todos.

Num email destinado a funcionários seniores, poucos dias após a presidência de Trump, Jimmy Bramblett, vice-chefe do Serviço de Conservação dos Recursos Naturais, escreveu: "Ficou claro que uma das prioridades da administração anterior não é consistente com a da administração recém-chegada. Nomeadamente, essa prioridade são as alterações climáticas. Alerte a sua equipa para esta mudança de perspetiva no ramo executivo".

Bramblett adiantou ainda que a discussão dos gases com efeito de estufa deveria ser feita com prudência, além de que o trabalho da agência sobre a qualidade do ar em relação a esses gases poderia ser interrompido.

Trump já questionou repetidamente a veracidade da pesquisa sobre alterações climáticas, sugerindo que a mesma faz parte de um embuste chinês. O presidente dos EUA iniciou também a retirada do país do acordo climático de Paris, além de retirar ou alterar os vários regulamentos destinados a reduzir os gases com efeito de estufa. Também a nomenclatura do governo federal foi alvo de mudança, sendo que as menções de perigo relacionadas com as alterações climáticas foram removidas dos sites da Casa Branca e do Departamento do Interior.

"Esses registos revelam a censura ativa de Trump em nome da sua agencia politica," disse Meg Townsend, advogada do governo no Centro de Diversidade Biológica. "Pensar que as agências federais que relatam sobre o ar, a água e o solo que sustenta a saúde da nossa nação, devem de se conformar com a reação anti-ciencia da administração Trump é terrível e perigosa para a América", afirmou.

O Centro de Diversidade Biológica está a processar várias agencias governamentais, incluindo a agência de Proteção Ambiental e o departamento estadual, de forma a forçar a divulgação de informações sobre a "censura" verbal relacionada com as alterações climáticas. Os e-mails que circularam pelo Departamento da Agricultura são assim a indicação clara de que a equipa fora instruída para evitar o reconhecimento das mudanças climáticas ou as suas consequências.

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