Caso Huawei: chinesa detida numa mansão, canadianos em parte incerta

Sabrina Meng Wanzhou, filha do fundador da Huawei, está em prisão domiciliária no Canadá, com pulseira eletrónica, num imóvel de dez milhões de euros. Os dois canadianos detidos pela China estão em local desconhecido, impedidos de contactar com a família ou com um advogado há seis meses

Os canadianos Michael Kovrig e Michael Spavor estão presos na China há seis meses sem que se conheça qualquer informação sobre o seu paradeiro, condições de detenção ou que sequer lhes tenha sido permitido contactar a família ou um advogado. A denúncia é feita pelo International Crisis Group (ICG), uma organização não-governamental dedicada à prevenção e resolução de conflitos armados, para a qual o primeiro trabalha como conselheiro sénior. Já a chinesa Sabrina Meng Wanzhou, da Huawei, detida no Canadá, está em prisão domiciliária...numa mansão.

Kovrig, um antigo diplomata, foi detido em dezembro pelas autoridades de Pequim, em conjunto com o empresário Michael Spavor, no que foi amplamente entendido como uma represália pela detenção, dias antes, de Sabrina, filha do fundador da Huawei, na sequência de um pedido de extradição dos Estados Unidos por alegados crimes como a violação do embargo ao Irão e roubo de propriedade intelectual.

Mas se não restam muitas dúvidas de que as detenções estão relacionadas, já as condições das mesmas têm muito pouco em comum.

Meng Wanzhou foi libertada logo a 12 de dezembro, com uma caução de cerca de 6,65 milhões de euros. A ampla comunidade chinesa no Canadá chegou a oferecer-se para contribuir para pagar a caução, com vários residentes a apresentarem as suas casas como caução. Algo que não terá sido necessário.

Nesta altura, a diretora financeira da Huawei aguarda a decisão do seu processo em prisão domiciliária, com pulseira eletrónica, numa mansão avaliada em mais de dez milhões de euros que tem em Vancouver. Inicialmente ficou numa casa mais "modesta", de cerca de quatro milhões de euros. Mas pediu ao tribunal para mudar-se para um local mais espaçoso, o que foi aceite.

Atualmente, está a processar o Canadá pela sua detenção.

Acusados de espionagem

em relação aos dois canadianos, não se sabe praticamente nada. A única informação que chegou a respeito destes foi a notícia de que a China os decidiu acusar formalmente. Em maio, dias depois de o tribunal de Vancouver te rejeitado um pedido para parar o processo de extradição da executiva da empresa de telecomunicações, a agência estatal Xinhua noticiou que Kovrig e Spavor estão acusados de "grave violação" das leis chinesas, por alegado roubo de segredos do país desde 2017.

Ainda de acordo com a acusação de Pequim, Kovrig terá entrado na China com um passaporte comum e um visto de negócios, obtendo então as alegadas informações confidenciais das mãos de Spavor. O detalhe do passaporte não é inócuo, uma vez que, enquanto era diplomata, o canadiano beneficiava da imunidade do cargo. O argumento da China é que, ao ter entrado com visto e passaporte comuns, não estava abrangido por essa prerrogativa na altura em que ocorreram os alegados crimes.

Sobre Spavor pouco se sabe. É um empresário com ligações a vários países asiáticos que, há alguns anos, deu nas vistas por ter sido um dos promotores de uma caricata visita do antigo jogador da NBA Dennis Rodman à Coreia do Norte.

Trump e Trudeau com encontro na próxima semana

O primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, visita Washington na próxima semana, no dia 20, tem previsto um encontro com o presidente Donald Trump, e as questões da Huawei e das detenções de Wanzhou e dos dois canadianos serão seguramente temas em cima da mesa.

Os Estados Unidos já se associaram ao pedido canadiano de libertação imediata de Kovrig e Spavor. Mas algumas posições da administração norte-americana não têm exatamente contribuído para facilitar a gestão deste dossiê sensível pelo Canadá.

Por exemplo, pouco depois de o executivo de Trudeau ter garantido que o processo de extradição de Wanzhou não seria influenciado pela guerra comercial atualmente em curso entre os Estados Unidos e a China - que tem tido na Huawei o ponto central -, Donald Trump admitiu que a libertação da chinesa poderia ser englobada num eventual acordo comercial com Pequim.

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