Julen. Caso do menino espanhol que caiu num poço e morreu não vai a julgamento

Pais de Julen, menino de dois anos que caiu num poço e morreu em janeiro do ano passado, chegaram a acordo com o dono do terreno e evitam ir resolver o caso em tribunal.

Os pais de Julen, o menino de dois anos que morreu há um ano depois de cair num poço em Totalán, Málaga, chegaram a um princípio de acordo com o proprietário do terreno e único acusado da morte da criança, David Serrano, a 24 horas do início do julgamento, avança o El País .

As duas partes reuniram esta segunda-feira de manhã com o Ministério Público espanhol na Cidade de Justiça de Málaga para explicarem os termos do acordo, que foi aceite pelo Ministério Público.

Falta apenas a aprovação da juíza do Tribunal Criminal número 9 de Málaga, Elena Sancho Mallorquín, para a sentença que poderá ser proferida esta terça-feira.

Os termos do acordo incluem uma sentença de prisão de um ano (pena suspensa) para Serrano por crime de imprudência grave, bem como o pagamento de uma indemnização aos pais de Julen. O réu evita assim entrar na prisão, até porque não possui antecedentes criminais, mas será obrigado a realizar o pagamento da responsabilidade civil que lhe é exigida pelo custo da operação de resgate levada a cabo durante 13 dias até ser encontrado o menino.

O El País, que cita fontes do Ministério Público, diz que se mantém a acusação do crime de homicídio culposo, mas que a pena poderá ser reduzida para, no mínimo, um ano de prisão, devido à existência de várias atenuantes. Além da ausência de antecedentes criminais, Serrano já pagou uma indemnização de 25 mil euros aos pais de Julen. "É melhor um acordo mau do que um bom litígio", disse um dos advogados dele.

O julgamento do caso de Julen vai começar esta terça-feira e estava programado acontecer em seis sessões até 30 de janeiro, mas se o juiz ratificar o acordo emitirá uma declaração de conformidade e dará o processo como concluído. A família tinha pedido três anos e meio de prisão para David Serrano, enquanto o Ministério Público tinha pedido três anos.

O relatório final da autópsia de Julen revelou que o menino de dois anos morreu às 13.50 do dia 13 de janeiro devido à queda no poço em Totalán, Málaga, Espanha. De acordo com os peritos, no momento da queda a criança sofreu um traumatismo cranioencefálico e medular. A autópsia pôs assim de parte a hipótese, falada na altura, de o menino ter morrido com golpes de picareta durante a operação de resgate, uma vez que não há "fraturas na parte superior do crânio". Além disso, a picareta começou a ser usada quase quatro horas depois da sua morte.

Os especialistas determinaram que o tempo de sobrevivência no poço "foi curto" e que Julen faleceu "poucos minutos depois da queda". É possível ainda dizer que não se tratou de uma queda livre e que a velocidade da queda foi atenuada pelo atrito provocado pelas roupas e pelas saliências do poço.

A criança de dois anos caiu num furo de prospeção de água de cerca de 100 metros de profundidade e 25 centímetros de largura na tarde de domingo, dia 13. A família dava um passeio pela serra junto da propriedade de uns familiares quando o acidente aconteceu. Mais de 300 pessoas - entre mineiros, engenheiros e outros especialistas - estiveram envolvidas nas operações de socorro. O corpo de Julen só foi encontrado no dia 26 de janeiro de 2019, 13 dias depois de ter caído no poço.

A morte causou grande comoção na comunidade local e o difícil resgate complicado teve um amplo eco internacional.

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