Cardeal espanhol fala no diabo: "Há vacinas preparadas com fetos abortados"

O arcebispo de Valência criticou numa homilia as vacinas da Covid-19 que estão a ser desenvolvidas com células de fetos abortados. "É trabalho do diabo", considerou Antonio Cañizares, já conhecido por posições ultra-conservadoras.

"O diabo existe no meio de uma pandemia." Foi um alerta efetuado pelo cardeal Antonio Cañizares durante uma missa de Corpus Christi, realizada domingo na catedral de Valência, em Espanha, Conhecido pelo seu lado ultra-conservador, o arcebispo de Valência usou esse mote para lançar uma crítica à investigação científica - afirmou que há vacinas do Covid-19 a serem preparadas com células de fetos abortados.

Para o cardeal arcebispo, "o diabo existe no meio de uma pandemia, tenta realizar pesquisas de vacinas e curas. Encontramos as notícias extremamente dolorosas de que uma das vacinas é feita a partir de células de fetos abortados. Isto é desumano, cruel e não podemos elogiar ou abençoar, muito pelo contrário. Nós somos a favor do homem, não contra o homem. Primeiro ele é morto com um aborto e depois é manipulado. Não. Temos mais um infortúnio, o trabalho do diabo".

Antonio Cañizares, revela o jornal El Pais, também pediu que o regresso à normalidade "não seja como voltar a antes da pandemia, mas para recuperar o que mais precisamos, o sentido de Deus que perdemos, o da adoração, o de ser irmãos". A missa foi celebrada "diante das autoridades municipais e numa catedral lotada (50% da lotação permitida) e com paroquianos às portas", segundo o comunicado de imprensa do arcebispado de Valência.

Não é a primeira vez que Cañizares diz frases polémicas. Já afirmou ser perseguido por denunciar o suposto "império gay" na sua defesa da família e já disse que "os imigrantes são um cavalo de Troia" questionando: "Onde estará a Europa daqui a alguns anos?"

As palavras deste domingo provocaram discussão em Espanha e o arciprestado reagiu em comunicado para garantir que o cardeal aludiu, sem citar, a um artigo da revista científica Science que levanta dúvidas éticas sobre o uso de embriões humanos na busca de uma vacina contra a covid-19. "Desde o início da pandemia, rezo para que seja encontrada uma vacina para ajudar a curar e até prevenir a Covid-19, como afirmei repetidamente", disse o cardeal arcebispo nesta segunda-feira.

"A única coisa que acrescentei é que, de acordo com as informações publicadas, parece que existem mais de cem linhas de investigação e que, entre essas centenas, existem algumas que são produzidas com métodos que abririam dilemas éticos. Se essas publicações forem verdadeiras, uma vez que existem mais de 130 linhas de investigação, é desejável que essa vacina seja alcançada e produzida sem abrir dilemas éticos para sua produção ", acrescentou.

O cardeal católico refere-se a um artigo publicado no dia 12 de junho pela revista Science, intitulado "Vacinas que usam células fetais humanas fortemente criticadas".

""De acordo com essas informações, as primeiras vacinas disponíveis para uso clínico seriam aquelas que foram desenvolvidas a partir de linhas celulares obtidas a partir de abortos induzidos, de modo que o uso desses seis projetos de vacinas está a causar polémica generalizada", diz ainda o comunicado.

De fato, não é o primeiro católico a criticar estas vacinas, Como refere a Science, há seis projetos de vacina que usam células fetais e movimentos católicos dos EUA e do Canadá já se tinham pronunciado de forma muito crítica contra esta investigações científicas. Duas destas vacinas já estão na fase de testes em humanos, a desenvolvida pela Universidade de Oxford e a do Instituto de Biotecnologia de Pequim.

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