António Costa indicado como modelo de novo presidente argentino

Alberto Fernández, o presidente eleito da Argentina que traz de volta, como vice, a ex presidente Cristina Kirchner, é apontado como o regresso do peronismo ao leme do país que em 2018 foi alvo de mais um resgate do FMI. E a revista Foreign Affairs aponta-lhe o primeiro-ministro português António Costa como modelo para conciliar rigor económico e calmia política.

Em setembro, após as primárias que ganhou com uma vantagem de 15 pontos sobre o incumbente Mauricio Macri, Alberto Fernández viajou para Espanha e fez uma visita-relâmpago a Portugal para se encontrar com António Costa. Na sua comitiva houve quem dissesse à agência argentina Télam que Costa surgia como "um exemplo a seguir por outros partidos sociais-democratas europeus com os quais queremos estreitar laços".

Na altura, o governo de Costa era descrito no diário Clarin como "uma alternativa social à austeridade neoliberal" embora cumprindo as regras da eurozona, e mostrando ser capaz de "suster a tendência de declínio dos socialistas".

Agora que a segunda volta, no domingo, lhe deu a vitória com 12,5 milhões de votos contra 10,5 milhões de Macri, o homem que está a ser descrito como correspondendo ao regresso do peronismo vê o diretor do Clarin, Ricardo Kirschbaum, sugerir que deve olhar para o outro lado do Atlântico como inspiração.

Refere-se ao governo português, que descreve como aquele no qual, "a partir de 2014" (as legislativas portuguesas tiveram lugar a 4 de outubro de 2015), os "sociais-democratas se coligaram com o Partido Comunista [sic] para retirar o país de uma profunda recessão, induzida como a argentina pelas medidas de austeridade aplicadas por um governo conservador trabalhando em conjunto com o Banco Central Europeu, o Fundo Monetário Internacional e a União Europeia". E conclui: "Como o seu congénere português, o primeiro-ministro António Costa, Fernández aconselha um afastamento da austeridade e um retorno ao protecionismo."

Fernández, que foi chefe de gabinete da ex presidente Cristina Fernández de Kirchner (que governou de 2007 a 2015), mas saiu logo em 2008 incompatibilizado com ela. tendo-se tornado num dos seus maiores críticos, chega ao poder com a ex-chefe como vice. A sua candidatura foi aliás vista como um artifício para Kirchner voltar ao governo, mas durante a campanha este jurista e professor de Direito Penal de 60 anos foi ganhando projeção e popularidade.

"Os tempos futuros não são fáceis mas claro que iremos colaborar em tudo o que pudermos porque a única coisa que nos preocupa é que os argentinos parem de sofrer de uma vez por todas", disse Fernández, citado pela Reuters, após reunir com Macri. O novo presidente herda uma situação económica complicada: Macri, eleito em 2015 com promessas de liberalização da economia, acabou por negociar com o FMI, no ano passado, um resgate de 57 mil milhões de dólares (mais de 51 mil milhões de euros).

O resgate, descrito pela revista Foreign Affairs como o mais elevado da hist ória do FMI, não conseguiu levantar a economia argentina. Cabe agora à dupla Fernández/Kirchner provar o que vale.

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