Agora "a piada somos nós" brasileiros. Nelson Motta elogia "bermudão" de Marcelo

O famoso jornalista, compositor, letrista e produtor musical, na sua coluna no jornal O Globo, fala da fotografia de Marcelo Rebelo de Sousa no supermercado para comparar a forma como os governantes portugueses lidaram com o novo coronavírus, criticando o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro.

A fotografia de Marcelo Rebelo de Sousa de calções de banho e máscara na fila do supermercado continua a gerar reações pelo mundo fora. Desta vez foi Nelson Motta, o famoso jornalista, compositor, letrista e produtor musical brasileiro quem, na sua coluna no jornal O Globo, aproveita a imagem do nosso presidente para tecer elogios à forma como Portugal está a lidar com a pandemia de covid-19. Sobretudo em comparação com o Brasil.

"No domingo vi uma foto do presidente da República de Portugal, o professor e jornalista Marcelo Rebelo de Sousa, de bermudão, esperando na fila de um supermercado em Lisboa, de máscara, guardando a distância regulamentar e respeitando a fila. Nenhum segurança à vista. Um conservador muito educado e cordial, Marcelo tem 86% de apoio e confiança da população. Deu muita inveja", escreve Nelson Motta num artigo que Seixas da Costa, embaixador no Brasil de 2005 a 2009, destaca na sua página de Facebook.

O homem que tem trabalhado com os maiores nomes da música brasileira, de Elis Regina a Rita Lee, de Marisa Monte a Gal Costa e que durante anos foi colunista do DN na rubrica Manhattan Connection explica no Globo como Portugal "está entre os países de menores índices de mortalidade por um milhão de habitantes no mundo. Um terço da Suécia, que tem a mesma população". E confessa: "é apavorante comparar com o Brasil. ainda em acelerada curva ascendente, porque temos 20 vezes mais habitantes do que Portugal, testamos 20 vezes menos e estamos fazendo o contrário do que eles fizeram".

Também os nossos governantes merecem elogios a este homem nascido em São Paulo, mas que passou a maior parte dos seus 75 anos de vida ligada ao Rio de Janeiro. A começar pelo próprio Marcelo, mas também António Costa. "o presidente Marcelo Rebelo de Sousa e o primeiro-ministro António Costa, socialista, fizeram a coisa certa na hora certa, guiados pela Ciência: direitistas, socialistas, comunistas e anarquistas se uniram para manter a população em casa e combater o inimigo de todos."

Uma atitude na qual Nelson Motta vê a explicação para um sucesso que permite aos portugueses estarem a começar a sair do isolamento enquanto no Brasil "o pior está só começando e o antagonismo político, chamado de guerra por Bolsonaro, comanda o espetáculo macabro".

E remata: "Tudo isso faz lembrar as velhas "piadas de português", que naturalmente eram replicadas pelas "piadas de brasileiro" em Portugal, em que o mote é sempre a burrice e a estupidez, mas hoje se vê que a piada da vez somos nós. Chegamos ao ponto de desejar o que Chico Buarque e Ruy Guerra lançaram como uma maldição, no tempo da ditadura e do salazarismo: 'Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal/ Ainda vai tornar-se um imenso Portugal.'
Quem dera, Chico, quem dera."

A fotografia de Marcelo já tinha sido usada pelo espanhol El País para elogiar a forma como Portugal está a lidar com a pandemia. "Parece um político de outro planeta", escrevia o diário espanhol, dando conta dos comentários dos internautas e do seu espanto perante a imagem do presidente português.

Mas do Brasil à Suíça, passando pelos EUA, com a CNN, ou o britânico Financial Times, foram muitos os media que nas últimas semanas teceram elogios a Portugal.

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