Afonso Dhlakama anuncia trégua por tempo indeterminado

Presidente da Renamo assinalou, porém, que o alargamento deste período de paz não significa o fim da guerra

O presidente da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), Afonso Dhlakama, anunciou hoje o prolongamento da trégua no país por tempo indeterminado.

"Hoje há uma novidade, porque a trégua será diferente daquelas tréguas que já pude anunciar: estou agora a anunciar a trégua sem prazo", declarou Afonso Dhlakama, falando a partir da região de Gorongosa, centro do país, por teleconferência, para jornalistas que se juntaram na sede da Renamo em Maputo.

"Eu já vinha sempre a dizer, que se tudo correr bem, se o Governo, o Presidente da República, o meu irmão [Filipe] Nyusi correspondesse, poderia dar a trégua sem prazo", realçou.

A decisão, continuou, também se deve a pedidos de empresários, nacionais e estrangeiros, que consideravam insuficientes sucessivas tréguas com prazos definidos.

"Ouvi as pessoas, sobretudo alguns homens de negócios, estrangeiros e nacionais, e ficavam com receio: 60 dias [de tréguas]? Então pensavam: e se esgotarem os 60 dias, o que é que vai acontecer depois", afirmou o líder da Renamo.

Afonso Dhlakama adiantou que o chefe de Estado moçambicano vai ordenar às Forças de Defesa e Segurança (FDS) para começarem a retirar as suas posições da região da Gorongosa, onde estão as principais bases da Renamo, a partir de segunda-feira, no âmbito do processo da restauração da paz.

"Aqui na Gorongosa tem mais de 26 posições militares das FADM [Forças Armadas de Defesa de Moçambique] e das FIR [Forças de Intervenção Rápida], em volta da serra da Gorongosa, porque vieram aqui combater. Agora a guerra acabou, é preciso que se retirem", acrescentou o líder da Renamo.

Com a retirada, assinalou Afonso Dhlakama, o Governo está a corresponder ao gesto de boa vontade expresso pela Renamo, com o alargamento da trégua.

O presidente da Renamo afirmou que o alargamento deste período de paz, em si, não significa o fim da guerra, uma vez que esse ato depende de um acordo escrito entre o principal partido da oposição e o Governo.

"Não significa o fim da guerra, mas significa o início do fim da guerra. Ainda não há o acordo político que significa mesmo o fim da guerra, mas a trégua sem prazo significa que não há disparos", referiu Afonso Dhlakama.

Forças de Defesa e Segurança moçambicanas e o braço armado do maior partido da oposição trocaram fogo no centro e norte do país em 2016 até ao primeiro período de tréguas anunciado por Dhlakama, em dezembro.

A guerra vitimou um número desconhecido de pessoas, com ataques a autocarros, comboios e outros alvos civis, afundou a economia e provocou uma crise de refugiados.

Renamo e Frelimo, partido no poder, trocaram acusações mútuas de perseguições e assassínios políticos.

Os conflitos surgiram depois de a Renamo ter recusado aceitar os resultados das eleições gerais de 2014, exigindo governar em seis províncias onde reivindica vitória no escrutínio.

É nessa sequência que a descentralização do Estado está na mesa de negociações entre Dhlakama e o Presidente Nyusi - a par da despartidarização das FDS e do desarmamento do braço armado da oposição e sua reintegração na vida civil ou integração no exército, polícia e serviços de informação do Estado.

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